João Pessoa, terça-feira, 20 de outubro de 2026
Por que as pessoas estão pagando para testar seus limites? O boom das experiências esportivas de endurance no Brasil
18/10/2026 23:51
Redação ON Reprodução

Acordar antes do amanhecer para treinar. Organizar férias e viagens em torno de um calendário de provas. Investir milhares de reais em equipamentos e inscrições. Reservar boa parte do tempo livre para nadar, pedalar e correr. Para muitas pessoas, essa rotina pode parecer um sacrifício difícil de compreender. Ainda assim, ela vem atraindo cada vez mais adeptos.

O crescimento das provas de endurance, categoria que engloba modalidades de resistência como maratonas, ultramaratonas, ciclismo de longa distância e triathlon, revela uma mudança importante na forma como as pessoas se relacionam com o esporte. O que antes era encarado como atividade física ou competição passou a ocupar um espaço muito maior: o de ferramenta de desenvolvimento pessoal, construção de identidade e busca por propósito.

O fenômeno acontece em um mercado que segue em expansão. O Brasil reúne atualmente cerca de 15 milhões de corredores e um setor de eventos esportivos que movimenta mais de R$21 bilhões por ano. E, dentro desse universo, o triathlon tem se destacado como uma das modalidades que mais crescem.

Uma pesquisa proprietária realizada pela Unlimited Sports, empresa responsável pela realização das provas IRONMAN e IRONMAN 70.3 no Brasil desde 2001, ajuda a entender o que está por trás desse movimento. O levantamento ouviu 1.451 triatletas de todo o país e identificou um padrão claro: para 63,5% dos participantes, o triathlon deixou de ser apenas uma prática esportiva para se tornar um estilo de vida.

A força desse movimento também aparece dentro das próprias provas. Somente nas etapas de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo do circuito Nubank Ultravioleta IRONMAN 70.3 realizadas neste ano, 2.131 atletas participaram pela primeira vez de uma prova da franquia. O número mostra que o crescimento do endurance não está sendo sustentado apenas por praticantes experientes, mas também por uma renovação constante da base de participantes.

A pesquisa mostra que essa percepção se traduz em comportamento. A maior parte dos atletas treina entre duas e quatro vezes por semana em cada uma das três modalidades da prova: 74% em natação, 83%, em ciclismo e 82%, na corrida, dedicando dezenas de horas por mês à preparação.

O perfil dos participantes ajuda a compreender esse nível de comprometimento. Segundo o levantamento, 66,1% possuem pós-graduação, 47,3% têm renda mensal superior a R$20 mil e mais da metade possui filhos. Em outras palavras, trata-se de um público formado majoritariamente por profissionais experientes, com carreiras consolidadas e responsabilidades familiares, que ainda assim encontram espaço para incorporar o esporte como elemento central de suas rotinas.

“O que estamos observando é uma mudança importante na relação das pessoas com o esporte. O atleta de endurance não busca apenas performance. Ele busca uma experiência completa, uma jornada de transformação pessoal. A prova é o ápice de um processo que envolve disciplina, saúde, superação e conexão com outras pessoas”, afirma Carlos Galvão, CEO da Unlimited Sports.

O crescimento das experiências esportivas

A pesquisa também mostra que os atletas não escolhem apenas uma prova. Eles escolhem uma experiência. Nove em cada dez participantes consideram a cidade-sede um fator relevante ou muito relevante na decisão de inscrição, enquanto a facilidade de deslocamento aparece entre os principais critérios de escolha.

“Isso ajuda a explicar por que as provas de endurance vêm se consolidando como importantes plataformas de turismo esportivo. A decisão vai além do destino, envolve lazer, hospedagem, gastronomia e a possibilidade de viajar com familiares e amigos”, ressalta Galvão.

Como resultado, os impactos econômicos gerados pelos eventos vão muito além da arena esportiva. Somadas, as etapas de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo do circuito IRONMAN 70.3 movimentaram aproximadamente R$ 158,9 milhões nas economias locais e mobilizaram mais de 53,8 mil pessoas entre atletas, familiares, equipes técnicas, fornecedores, voluntários e público.

“Isso gera uma permanência mais longa, maior consumo e um impacto econômico relevante. Em Florianópolis, por exemplo, o IRONMAN já se consolidou como um dos eventos mais importantes do calendário econômico local, atrás apenas do Carnaval, mesmo sendo realizado em um período de baixa temporada”, comenta Carlos Galvão.

Se antes as provas de endurance eram vistas como desafios reservados a poucos atletas, os dados mostram uma realidade diferente. À medida que o esporte atrai novos públicos e amplia seu impacto econômico, as provas deixam de ser apenas eventos esportivos para se consolidarem como plataformas de relacionamento, consumo e geração de valor para diferentes setores da economia.

Sobre a Unlimited Sports

Desde 2001, a Unlimited Sports realiza e promove as provas IRONMAN e IRONMAN 70.3 no Brasil, sendo ainda organizadora do circuito TRIDAY Series. Com mais de 20 anos de experiência e grande prestígio no mercado esportivo, seu propósito é engajar pessoas por meio do esporte, incentivando-as a levarem uma vida mais saudável e explorando a plataforma esportiva como ferramenta de influência e marketing.

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