A Polícia Civil da Paraíba prendeu, na noite deste domingo (30), os dois homens apontados como suspeitos de participar da morte do cabeleireiro Betto Silveira, de 59 anos, assassinado dentro de casa no bairro de Alto de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. A ação ocorreu no município de Tavares, no Sertão paraibano, a cerca de 400 km de João Pessoa, e reforça o peso das forças de segurança do estado em um caso de grande repercussão nacional.
Os suspeitos, Aercio Leonardo e Claudeni Barreto, estavam com prisão temporária decretada pela Justiça de São Paulo desde a quinta-feira (27). Eles foram localizados e detidos por equipes paraibanas em trabalho conjunto com a Polícia Civil paulista e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
O delegado Gabriel Brienza, do DHPP, afirmou que o caso só avançou graças ao trabalho integrado das corporações.
“Com a identificação, foi possível representar pela prisão temporária dos suspeitos e decretada judicialmente. Isso demonstra a importância da cooperação dos órgãos de persecução penal para a solução de crimes”, destacou.
Como o crime aconteceu
Betto Silveira foi encontrado morto no sábado (22) dentro do próprio quarto, amordaçado com uma toalha e com mãos e pés amarrados por fios de telefone. Havia marcas de hematomas pelo corpo. O cenário indicava violência, mas não roubo: até agora, não há sinal de subtração de objetos.
O corpo foi localizado pelo sócio da vítima e por uma prima, que foram ao imóvel após várias tentativas frustradas de contato. No local, a Polícia Militar constatou que Betto já estava sem vida.
Câmeras de segurança da rua mostram que o cabeleireiro saiu de carro às 1h39 da madrugada e retornou às 2h13 — já acompanhado de alguém, segundo a polícia. Às 5h53, dois homens foram flagrados abrindo o portão e deixando a residência a pé. Essas imagens foram determinantes para a identificação dos suspeitos.
A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, explicou que a principal linha de investigação aponta para pessoas que estavam com a vítima no momento em que ela voltou para casa.
“Pode ter sido uma discussão que aconteceu lá. Não temos, por enquanto, indícios de roubo”, disse.
Marcas de sangue e pista dentro do imóvel
A prima de Betto relatou aos investigadores que havia marcas de sangue na cama e nos travesseiros. No banheiro, uma faca sobre a pia chamou atenção, embora sem marcas aparentes de sangue. A mãe de Betto, de 98 anos e com dificuldades de mobilidade, estava na casa, mas só percebeu a ausência do filho na manhã seguinte, acreditando que ele havia saído cedo.
Para conseguir entrar no imóvel, familiares precisaram acionar vizinhos, já que a idosa estava trancada no andar superior. No térreo funcionava o salão de beleza de Betto, bastante conhecido na região.
Embora o crime tenha ocorrido em São Paulo, a captura dos suspeitos em território paraibano trouxe desdobramentos diretos para o público local e evidenciou a atuação rápida das autoridades do estado.
Aercio Leonardo e Claudeni Barreto seguem presos e devem ser transferidos para São Paulo, onde o caso está sob responsabilidade do DHPP.