João Pessoa, sábado, 24 de outubro de 2026
Polarização política e saúde mental: como o desgaste eleitoral afeta o sono, relações e o trabalho
24/10/2026 12:00
Redação ON Reprodução

A disputa eleitoral pode ultrapassar o debate público e interferir no sono, no humor e nas relações pessoais, sobretudo quando a exposição contínua a notícias e discussões dificulta o afastamento dos assuntos políticos. A expressão “psicose política”, usada informalmente para descrever a sensação de estar absorvido pela eleição, não corresponde a um diagnóstico clínico formal. O tema abre espaço para discutir o sofrimento psíquico associado à polarização e entender por que algumas pessoas sentem dificuldade para se desligar dos conflitos mesmo quando estão longe das redes sociais.

Um levantamento da Ipsos-Ipec realizado entre 4 e 8 de dezembro de 2025 com brasileiros a partir de 16 anos identificou tristeza (19%), cansaço (17%) e medo (16%) como os sentimentos mais citados em relação à polarização política. Os dados ajudam a dimensionar o desgaste emocional associado ao cenário político, sem representar diagnósticos de transtornos mentais. Aline Silva, diretora clínica da Telavita, pode explicar como a identificação com grupos e valores políticos intensifica divergências e torna conversas cotidianas emocionalmente desgastantes. “Em períodos de polarização, divergências podem ser percebidas como ameaças aos nossos valores e à nossa identidade. Por isso, apresentar mais argumentos nem sempre resolve o conflito. Entender o que aquela posição representa para cada pessoa pode ajudar a conversa, quando há respeito e disposição para ouvir”, explica Aline.

A pauta também aborda os efeitos da exposição constante ao noticiário e às discussões nas redes sociais, que podem alimentar a preocupação sem necessariamente trazer alívio. Entre os caminhos para reduzir o desgaste estão estabelecer horários para acompanhar notícias, interromper conversas quando o tom se torna agressivo e preservar momentos de descanso e convivência fora do debate político. Um levantamento da American Psychological Association, realizado em 2024 com 3.305 adultos nos Estados Unidos, mostrou que 69% consideravam a eleição presidencial uma fonte significativa de estresse e 32% relataram tensão familiar relacionada ao clima político. Embora os números não representem a realidade brasileira, ajudam a ilustrar como disputas eleitorais podem repercutir na vida pessoal.

No ambiente profissional, a polarização pode comprometer a convivência entre colegas e exige atenção à prevenção de conflitos, à discriminação e ao assédio eleitoral. Aline Silva também pode discutir como lideranças e organizações podem estabelecer limites claros para proteger os colaboradores, sem transferir para o atendimento psicológico a responsabilidade de resolver problemas do próprio ambiente de trabalho. “A empresa precisa garantir que diferenças políticas não se transformem em intimidação ou discriminação. Encaminhar alguém para atendimento não substitui interromper a situação que está produzindo sofrimento”, destaca a diretora clínica.

A abordagem reúne orientações para acompanhar o processo eleitoral sem permitir que ele ocupe todo o espaço da vida cotidiana, reconhecendo os próprios limites, preservando relações respeitosas e buscando ajuda profissional quando a ansiedade, a irritabilidade ou as dificuldades de sono passam a comprometer a rotina. A proposta é discutir saúde mental sem viés partidário, diferenciando divergências legítimas de situações de humilhação, preconceito ou ameaça e mostrando como pessoas, famílias e empresas podem contribuir para relações mais saudáveis.

A Telavita é uma empresa de saúde digital especializada em saúde mental, com soluções voltadas a pessoas e organizações.

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