PL vive crise de identidade: incertezas no plano nacional e turbulência na Paraíba
30/08/2025 05:11
Redação ON Reprodução

O Partido Liberal, que parecia consolidado como principal abrigo do bolsonarismo, atravessa um momento de incertezas tanto no cenário nacional quanto nas articulações políticas da Paraíba. A situação é de embaralhamento total, com disputas internas, indefinições sobre candidaturas e sinais claros de desorientação.

Nesta sexta-feira (29), o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro deixou claro que a permanência dele e de sua família no PL não está garantida. O motivo: a possível filiação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao partido.

Waldemar da Costa Neto, presidente do PL, já manifestou abertamente o desejo de lançar Tarcísio (atualmente no Republicanos) como candidato à Presidência em 2026. O plano de Costa Neto é fortalecer o PL com um nome competitivo da direita capaz de polarizar com o petismo.

O problema é que Eduardo Bolsonaro também sonha com o Palácio do Planalto. Ele já disse que, se o pai não puder ser candidato, ele próprio gostaria de assumir o posto — mesmo ignorando o fato de que está sujeito prisão, caso pise em solo brasileiro. No fundo, acredita na possibilidade de uma anistia ampla e irrestrita. Diante dessa disputa, Eduardo afirmou que, se Tarcísio entrar no PL como presidenciável, a família Bolsonaro pode deixar a legenda.

O efeito imediato na Paraíba

O reflexo na Paraíba foi imediato. O deputado Cabo Gilberto, um dos mais fiéis bolsonaristas no Estado, afirmou que, caso a família Bolsonaro deixe o PL, ele também deixará a sigla por lealdade. Foi o primeiro sinal de que a crise nacional pode provocar fissuras na base local.

Mas não é só isso. O partido já vinha acumulando movimentos contraditórios e confusos no Estado. No começo do ano, Jair Bolsonaro veio pessoalmente à Paraíba e anunciou o ex-ministro Marcelo Queiroga como pré-candidato ao governo. A decisão parecia definitiva.

No entanto, recentemente, Queiroga surpreendeu ao articular um acordo com o senador Efraim Filho para que ele fosse o candidato do PL em 2026 — mesmo que Efraim esteja hoje no União Brasil. A manobra gerou perplexidade entre analistas políticos. Afinal, Queiroga já havia testado seu nome nas urnas, disputou a prefeitura de João Pessoa, chegou ao segundo turno e tinha condições de viabilizar uma candidatura estadual com respaldo de Bolsonaro.

A confusão aumentou ainda mais nesta semana com a notícia de uma suposta aproximação entre Queiroga e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Segundo os rumores, teria havido conversas para sondar a possibilidade de Cícero disputar o governo pelo PL.

Se confirmada, a tratativa revela um verdadeiro contrassenso. Há poucos meses, na eleição municipal, Queiroga e Cícero travaram uma das disputas mais duras e agressivas da campanha, com trocas de insultos que pareciam impossíveis de superar. Além disso, a hipótese deixa Efraim Filho numa situação constrangedora, já que ele chegou a dividir palanque com Michelle Bolsonaro e foi apresentado como nome do PL para 2026.

Apertem os cintos, o piloto sumiu

O conjunto de movimentos — o impasse nacional com Tarcísio, as ameaças de saída da família Bolsonaro, as contradições entre Queiroga, Efraim e Cícero — reforçam a sensação de que o PL est;a meio sem rumo.

De maior partido do Congresso e abrigo natural do bolsonarismo, a sigla hoje parece viver sem norte definido. Na Paraíba, especialmente, o cenário é de completa indefinição, com alianças contraditórias e candidatos ainda em aberto.

A metáfora que melhor descreve o momento é a de um avião em turbulência: apertem os cintos, o piloto sumiu.

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