A corrida pelo Governo da Paraíba ganhou um ingrediente novo – e daqueles que mexem com o tabuleiro inteiro. A filiação de Juliana Cunha Lima ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, não é apenas um movimento burocrático. É política em estado puro. Primeira-dama de Campina Grande e nome cada vez mais presente nas articulações, Juliana passa a ser tratada com mais força como possível candidata a vice na chapa de Efraim Filho.
E aqui entra o detalhe curioso – e até irônico – dessa história. Enquanto Cícero Lucena ainda busca um nome de peso em Campina Grande para compor sua chapa, de preferência alguém da tradicional família Cunha Lima, quem acabou chegando primeiro a esse ativo político foi justamente o grupo adversário. O PL de Efraim Filho conseguiu, antes, um Cunha Lima para chamar de seu.
Não é pouca coisa. A família Cunha Lima é uma das mais influentes da política paraibana, com histórico de protagonismo que inclui dois ex-governadores e ex-senadores, Ronaldo e Cássio Cunha Lima. Ter esse sobrenome numa chapa significa, no mínimo, abrir portas em Campina – e, no máximo, consolidar alianças decisivas.
Cícero sabe disso. Por isso, tentou atrair Pedro Cunha Lima, que foi ao segundo turno na última eleição para o governo e somou mais de um milhão de votos. Pedro, no entanto, tem sido categórico: não quer disputar nada neste momento. Surgiu então o nome do irmão, Diogo Cunha Lima, empresário, mas ainda envolto em incertezas naturais de quem não vive a política no dia a dia.
Nesse cenário, a movimentação de Juliana ganha ainda mais peso. Não apenas pelo simbolismo, mas pelo timing. Em política, muitas vezes, quem chega primeiro ocupa o espaço – e obriga os outros a correr atrás.
As últimas pesquisas
Por falar em corrida eleitoral, as pesquisas mais recentes ajudam a desenhar o cenário. Levantamento do Polêmica Paraíba em parceria com o Instituto Seta indica que Cícero Lucena segue na liderança na disputa pelo governo, mas já vê a distância para Lucas Ribeiro diminuir. Efraim Filho aparece na sequência, consolidando-se como um nome competitivo nesse primeiro momento.
No Senado, o quadro chama ainda mais atenção. João Azevêdo aparece disparado na dianteira, enquanto a disputa pela segunda vaga mostra movimentações relevantes. O ex-ministro Marcelo Queiroga, nome do PL, já surge à frente de Nabor Wanderley, indicando que o bolsonarismo também começa a ganhar tração nesse campo.
Se as pesquisas ainda não definem o jogo, ao menos mostram que ele está longe de ser previsível. E, com movimentos como o de Juliana Cunha Lima, a tendência é que a política paraibana continue entregando capítulos interessantes – alguns até com um certo senso de humor involuntário.
