A passagem do senador Flávio Bolsonaro pela Paraíba neste domingo consolidou o que o Partido Liberal buscava: uma demonstração pública de unidade. O evento, em João Pessoa, oficializou a filiação de Efraim Filho, lançou sua pré-candidatura ao Governo do Estado e reuniu lideranças que vinham de recentes divergências internas, agora sob um discurso alinhado e voltado para 2026.
Mas um tema foi praticamente ignorado: a eleição suplementar de Cabedelo, marcada para 12 de abril – daqui a 21 dias. O PL deixou passar uma oportunidade clara de impulsionar o deputado estadual Walber Virgulino, seu candidato, que aparece em posição frágil nas pesquisas.
Walber passou o domingo inteiro demonstrando expectativa com a presença de Flávio. Às 5h da manhã, já estava no aeroporto, convocando: “Acorda, Cabedelo! Acorda, Paraíba! Acorda, Brasil!”. Às 15h, com o evento em andamento, publicou o jingle da campanha de Flávio. E, às 20h, registrou o momento mais simbólico: a foto abaixo de Flávio e Efraim, acompanhada de mensagem alinhada ao grupo e de um comentário protocolar de Efraim – “Sua força faz a diferença!”.
Ficou nisso.

No palanque, não houve pedido de voto, nem menção direta a Cabedelo. Nem por parte de Flávio, nem de Efraim. Ao citar nomes da direita paraibana, Flávio destacou apenas Cabo Gilberto e Nilvan Ferreira. Poderia ter incluído Walber, candidato em plena campanha. Não o fez.
O contraste é ainda maior diante do peso da disputa. Cabedelo é um dos colégios eleitorais mais relevantes do estado. E os números mostram o tamanho do desafio: em pesquisa do Instituto Seta (Polêmica Paraíba), Edvaldo Neto lidera com 52,2%, enquanto Walber tem 13,0%.
Havia palco, havia tempo e havia necessidade.
O PL, enfim, preferiu projetar outubro e deixou passar abril – sem sequer pedir voto aos eleitores de Cabedelo.