João Pessoa, sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Pesquisas para todos os gostos: segundo turno começa com números divergentes
09/10/2026 08:39
Redação ON Reprodução

O segundo turno da eleição presidencial começou com pesquisas capazes de alimentar o otimismo dos dois lados. Desde quinta-feira (8), quatro levantamentos apresentam retratos diferentes da disputa: três colocam Flávio Bolsonaro (PL) à frente, enquanto um aponta vantagem numérica de Lula (PT). Para o eleitor, sobra uma pergunta: em qual deles acreditar?

O PoderData/Aya abriu a rodada com 53% dos votos válidos para Flávio e 47% para Lula. No fim da tarde de quinta-feira, o Datafolha apresentou uma distância menor: 52% a 48%. Nesta sexta-feira (9), a AtlasIntel trouxe 52,8% para o senador e 47,2% para o presidente. Os três levantamentos convergem na ordem dos candidatos, embora apresentem diferenças no tamanho da vantagem. 

Já a Vox Brasil inverteu o placar: Lula aparece com 50,86% dos votos válidos, contra 49,14% de Flávio. A vantagem é apenas numérica, dentro da margem de erro de 2,15 pontos percentuais. O instituto entrevistou 2.100 eleitores entre 5 e 7 de outubro. Portanto, a divulgação mais recente não significa, por si só, que houve uma virada: pesquisas de institutos diferentes não formam uma sequência capaz de demonstrar essa mudança. 

A confusão aumenta com os relatos sobre trackings, os levantamentos internos usados pelas campanhas para acompanhar o eleitorado. Dos dois lados, circulam informações favoráveis aos próprios candidatos. Sem acesso aos dados completos e à metodologia, porém, esses recortes devem ser tratados como versões das campanhas, interessadas também em animar aliados e influenciar o ambiente político.

A desconfiança encontra combustível no primeiro turno. Na última pesquisa Datafolha, Lula tinha 45% dos votos válidos e Flávio, 42%. Nas urnas, o senador terminou com 47,03%, enquanto o presidente recebeu 45,16%. O instituto ficou próximo do resultado de Lula, mas subestimou Flávio em cerca de cinco pontos. A AtlasIntel também havia colocado o petista à frente, com 47%, contra 44,1% do adversário. 

Diferenças de metodologia, período de entrevistas e composição das amostras precisam entrar nessa discussão. Divergência não prova manipulação, mas os desencontros com as urnas exigem explicações. Depois do primeiro turno, os institutos voltam ao centro da disputa sob cobrança redobrada. E o eleitor tem razão em resistir à tentação de escolher como verdadeira apenas a pesquisa que apresenta seu candidato na frente.

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