A mais recente pesquisa Genial/Quaest sobre a sucessão presidencial de 2026 confirma a liderança do presidente Lula em todos os cenários testados, mas indica um quadro menos confortável do que no início do ano. O levantamento mostra crescimento de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e redução das margens de vantagem de Lula em simulações de segundo turno contra diferentes adversários.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-00249/2026.
Primeiro turno: Lula lidera, mas Flávio Bolsonaro cresce
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 35% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Na sequência surgem Ratinho Júnior, com 8%, Romeu Zema, com 4%, Aldo Rebelo e Renan Santos, ambos com 1%. Os indecisos somam 7%, enquanto 15% dizem votar em branco, nulo ou afirmam que não irão votar.
Em outro cenário estimulado, Lula oscila para 38%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 30%. Nessa simulação, Romeu Zema marca 4%, Ronaldo Caiado também 4%, Aldo Rebelo 1% e Renan Santos 1%. O percentual de indecisos fica em torno de 6%, e os brancos, nulos e abstenções permanecem em 15%.
Os números mostram que, apesar da liderança do presidente, Flávio Bolsonaro avançou em relação à pesquisa anterior, divulgada em janeiro, quando a distância entre os dois era mais confortável para Lula. A tendência observada pela série histórica do levantamento é de crescimento gradual do principal nome do bolsonarismo na disputa.
Segundo turno: Lula vence todos, mas margens variam
Nos cenários de segundo turno, Lula vence todos os adversários testados, mas a diferença varia de forma significativa conforme o oponente.
No confronto direto com Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 43%, contra 38% do adversário, uma diferença de cinco pontos percentuais. Em outro cenário semelhante, a vantagem é de oito pontos: 43% a 35%. Em uma terceira simulação contra Flávio, Lula marca 42%, enquanto o filho do ex-presidente aparece com 32%.
Contra Ratinho Júnior, Lula vence por 43% a 35%. Já diante de Ronaldo Caiado, o placar é de 43% a 32%. No confronto com Romeu Zema, Lula tem 42% contra 28% do governador de Minas Gerais. Contra Eduardo Leite, o presidente aparece com 44%, enquanto o adversário marca 25%. Por fim, em um cenário com Renan Santos, Lula tem 44% contra 25%.
Em todos os cenários de segundo turno, o percentual de indecisos varia entre 2% e 4%. Já os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou que afirmam que não pretendem votar oscilam de 17% a 27%, um índice elevado que reforça a leitura de um eleitorado ainda distante da disputa e pouco engajado com o processo eleitoral neste momento.
Leitura política: liderança mantida, mas ambiente menos confortável
O conjunto dos números aponta que Lula segue na dianteira da corrida presidencial, mas não em um cenário de tranquilidade absoluta. A redução das margens contra Flávio Bolsonaro e o crescimento gradual do bolsonarismo indicam que o campo oposicionista começa a se reorganizar, ainda que de forma fragmentada.
Por outro lado, os confrontos com governadores e outros nomes do centro-direita mostram que a oposição ainda carece de um candidato competitivo fora do eixo bolsonarista. Enquanto isso não acontece, Lula se beneficia da pulverização de adversários no primeiro turno e da dificuldade de construção de uma alternativa única no segundo turno.
O elevado contingente de brancos, nulos, indecisos e eleitores que dizem não votar funciona como um alerta: a eleição de 2026 ainda está longe de estar decidida, e o humor do eleitorado pode mudar de forma relevante à medida que o calendário eleitoral avance e a campanha ganhe corpo.