As investigações da Polícia Civil revelam que a facção criminosa expandiu sua presença em pelo menos quatro cidades da Paraíba: João Pessoa, Cabedelo, Campina Grande e Bayeux. Essa rede teria se consolidado a partir da cooptação de lideranças locais, antes ligadas à facção “OKD”, que migraram para o Comando Vermelho e passaram a reforçar o braço do grupo no estado.
O avanço territorial não se limitou à presença de integrantes. Em Cabedelo, os criminosos chegaram a criar um sofisticado esquema de vigilância com câmeras instaladas em postes, árvores e até residências de moradores — muitas vezes obrigados a aceitar os equipamentos. O objetivo era claro: monitorar a rotina da polícia, identificar possíveis ações de grupos rivais e proteger atividades ilícitas.
De acordo com as autoridades, o acesso às câmeras era feito de forma remota, diretamente do Rio de Janeiro, onde está refugiado o chefe da facção, conhecido como Fatoka. Quando a polícia local se aproximava, os alertas eram enviados imediatamente aos comparsas na Paraíba.
Mesmo após diversas apreensões e retiradas do sistema de vigilância, a facção voltava a reinstalar os equipamentos, mantendo o ciclo de controle. Essa ousadia foi um dos alvos da operação mais recente, que resultou em 24 prisões e no bloqueio de R$ 125 milhões ligados ao grupo.
Fatoka e outros suspeitos continuam escondidos no Complexo do Alemão, mas as autoridades reforçam que a presença do Comando Vermelho na Paraíba ainda é motivo de preocupação constante.