João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Parlamento do Irã aprova fechamento do Estreito de Ormuz após ataque dos EUA; tensão ameaça petróleo global
22/06/2025 12:04
Redação ON Reprodução

O Parlamento do Irã votou neste domingo (22/6) pelo fechamento do Estreito de Ormuz, em retaliação ao bombardeio de três instalações nucleares iranianas realizado pelos Estados Unidos no sábado (21/6). A medida ainda depende de aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional e da anuência do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.

A decisão ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e agora os Estados Unidos, e pode gerar impactos drásticos na economia global. O Estreito de Ormuz é considerado uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo: cerca de 21% de todo o petróleo consumido no planeta cruza esse canal, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

Escalada militar e ameaça econômica

A ameaça de fechamento já havia sido feita na quinta-feira (19/6), quando Teerã advertiu que bloquearia a rota caso os EUA entrassem diretamente no conflito em apoio a Israel. Após os ataques aéreos norte-americanos confirmados pelo presidente Donald Trump, o discurso se transformou em ação política.

O parlamentar Esmaeil Kowsari afirmou à rede estatal PressTV que o Irã está disposto a agir em defesa de seus interesses nacionais: “O Parlamento chegou à conclusão de que deve fechar o Estreito de Ormuz, mas a decisão final cabe ao Conselho de Segurança”, declarou. Seu colega, Seyyed Ali Yazdi Khah, reforçou o recado: “Nossos adversários devem saber que temos muitas opções – e não hesitaremos em usá-las.”

Impacto no petróleo pode ser imediato

Segundo relatório da seguradora holandesa ING, uma interrupção significativa nos fluxos pelo estreito pode elevar o preço do barril de petróleo tipo Brent para até US$ 120. Caso o bloqueio se estenda até o fim do ano, a cotação pode ultrapassar o recorde histórico de US$ 150 alcançado em 2018.

A tensão já começou a afetar rotas comerciais: desde a semana passada, embarcações têm evitado navegar pelo Mar Vermelho e pelo Golfo Pérsico, temendo ataques ou bloqueios.

Coração energético do mundo em risco

O Estreito de Ormuz é vital para a exportação de petróleo de países como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque e o próprio Irã, que sozinho produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia — quase 5% do total mundial. A região também é relevante para o transporte de gás natural, que já registra aumento nos preços internacionais em decorrência do conflito.

O cenário reforça os temores de que o embate entre Irã, Israel e EUA vá muito além do campo militar, podendo provocar uma crise energética global com reflexos diretos no custo de vida e na inflação em diversos países.

Se confirmado, o fechamento do Estreito de Ormuz poderá ser o maior choque no mercado de petróleo em décadas.

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