sexta-feira, 22 de maio de 2026
Parceria entre FCJA e Iphan-PB amplia formação em educação patrimonial
22/05/2026 08:17
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“Promover ações de formação, capacitação, pesquisa e produção de conhecimento no campo do patrimônio cultural”. Estes são os principais objetivos dos cursos que serão oferecidos pelo Centro de Formação em Educação Patrimonial (Cefep). Criado pela Fundação Casa de José Américo (FCJA) em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Paraíba (Iphan-PB), o Cefep funcionará junto à Secretaria de Estado da Educação (SEE) do governo paraibano.

As atividades de criação estão sendo conduzidas pela coordenadora da Unidade Tambaú da FCJA, Giovanna Barroca, e pelo superintendente do Iphan-PB, Jivago Barbosa. O público alvo desses cursos serão os professores da educação básica e profissional; gestores culturais, técnicos e servidores públicos das áreas de cultura, educação, turismo, patrimônio e segurança pública; agentes culturais, territoriais e comunitários; estudantes de graduação e pós-graduação; e também pesquisadores e profissionais interessados no campo do patrimônio cultural.

A minuta do plano de trabalho e o acordo de cooperação técnica do Centro de Formação em Educação Patrimonial foram elaborados a partir da parceria estabelecida entre essas três instituições e o próximo passo será a assinatura dos documentos pelo presidente da FCJA, jornalista Fernando Moura; pelo secretário estadual da Educação, Erivonaldo Alves da Silva; e por Jivago Barbosa, pelo Iphan paraibano.

Jivago esclarece que a cooperação entre esses três órgãos fortalece a articulação das políticas culturais e educacionais e, paralelamente, estabelecerá ambiente favorável para a formação crítica de educadores, agentes culturais, técnicos e gestores públicos, com impacto territorial e social. Segundo ele, “a criação do centro responde à crescente demanda por formação continuada, capacitação técnica e qualificação crítica no campo do patrimônio cultural”.

Ele antecipa, no entanto, que “essas ações formativas não configuram cursos de graduação ou pós-graduação. Se enquadram, no caso, nas modalidades de cursos de curta duração, híbridos, de formação continuada, de extensão cultural, de aperfeiçoamento, e como seminários, encontros e ciclos de debates, atividades educativas ou oficinas e laboratórios formativos”.

Giovanna Barroca explica que, com o propósito de articular educação, cultura, memória, território e cidadania, o Centro de Formação em Educação Patrimonial nasce da necessidade de fortalecer políticas públicas de preservação, valorização e difusão do patrimônio cultural paraibano,

“Considerando que a Paraíba possui uma riqueza cultural extremamente diversa”, explica Giovanna, “a FCJA tomou a iniciativa de criar esse centro em parceria com o Iphan”. No contexto dessa riqueza cultural, ela exemplifica com a existência atualmente na Paraíba de 39 comunidades quilombolas e a presença de mais de trinta mil indígenas registrados no último censo demográfico do país.

Paralelo a isso, segundo ela, há uma força expressiva na cultura popular, na literatura de cordel, no artesanato, nas festas tradicionais, nas manifestações afrobrasileiras e no seu patrimônio religioso. Somado a esse contexto, ela acrescenta a presença de importantes equipamentos culturais espalhados por diferentes cidades do estado. Em João Pessoa, por exemplo, ela destaca o Museu da História da Paraíba (antigo Palácio da Redenção), Museu da Cidade de João Pessoa, Centro Cultural São Francisco, Estação Cabo Branco, Espaço Cultural, entre outros.

Em Campina Grande, o Museu de Arte Popular da Paraíba, conhecido como Museu dos Três Pandeiros, o Museu do Algodão e o Museu de Arte Assis Chateaubriand; em Areia, o Museu Casa de Pedro Américo; e em Alagoa Grande, o Memorial Jackson do Pandeiro, que se constitui num importante espaço de preservação da memória musical brasileira.

“Diante desse cenário, o Centro de Formação em Educação Patrimonial pretende contribuir para a formação de profissionais que já atuam em museus, memoriais, bibliotecas, arquivos, centros culturais, escolas e projetos comunitários, e, com isso, fortalecer as práticas de preservação, educação patrimonial, mediação e gestão cultural”, ressalta Giovanna.

O Cefep funcionará na própria Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa, utilizando-se assim da estrutura já existente da instituição e que inclui auditório, salas formativas, biblioteca, hemeroteca, museu, memorial, núcleos de pesquisa, além da Unidade Tambaú, que se constitui num espaço que amplia em muito a capacidade de realização de cursos, oficinas, seminários, laboratórios e atividades educativas.

Ela explica também que o centro será composto de uma equipe multidisciplinar formada por educadores, historiadores, antropólogos, arqueólogos, arquitetos, museólogos, bibliotecários, pesquisadores, gestores culturais, técnicos, agentes territoriais, artistas, profissionais da tecnologia, mestres da cultura popular e demais especialistas ligados ao patrimônio cultural. “Essa composição busca integrar saberes acadêmicos”.

Sobre os objetivos do centro, Barroca destaca a promoção de formação continuada em educação patrimonial; fortalecimento da preservação e valorização do patrimônio cultural; estimulo a pesquisas e metodologias inovadoras; aproximação de escolas, comunidades e instituições culturais; fomento de políticas públicas nas áreas de cultura e educação; produção de materiais educativos, científicos e culturais; e incentivo a ações ligadas à economia criativa, à memória social e ao desenvolvimento local.

Outro ponto importante é a criação do Laboratório de Projetos, espaço cujas ações serão voltadas à produção de materiais educativos, documentários, podcasts, inventários culturais, plataformas digitais, exposições, pesquisas aplicadas e projetos de inovação cultural. “Esses produtos poderão contribuir diretamente para políticas públicas, preservação da memória, educação patrimonial e democratização do acesso à cultura”, observa Giovanna.

Ela enfatiza: “Muito mais que um espaço formativo, o Centro de Formação em Patrimônio Cultural pretende consolidar-se como referência regional na produção de conhecimento, valorização da diversidade cultural paraibana e fortalecimento da relação entre patrimônio, educação e cidadania”.

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