A reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira, foi marcada por um roteiro oficial de despedidas, mas, nos bastidores, o que se viu foi bem diferente: tensão, cobranças diretas e um governo claramente preocupado com desgaste político e econômico às vésperas do calendário eleitoral.
O encontro reuniu ministros que deixam seus cargos para disputar as eleições de 2026, mas também serviu como um momento de ajuste de contas interno. Lula cobrou mais eficiência, criticou a comunicação do governo e demonstrou irritação com episódios recentes que vêm sendo explorados pela oposição, como o impacto do endividamento das famílias e escândalos que respingam na imagem da gestão.
Além disso, houve queixas entre os próprios ministros. A articulação política voltou ao centro das críticas, especialmente diante da dificuldade de avançar pautas importantes no Congresso, como a proposta sobre segurança pública e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
Um dos casos mais delicados envolve a saída de Gleisi Hoffmann da Secretaria de Relações Institucionais. Responsável pela interlocução com o Congresso, Gleisi deixa o cargo em meio a um impasse sobre sua sucessão. O nome de Olavo Noleto chegou a ser ventilado, mas enfrentou resistência interna. Lula, então, recuou e passou a buscar um perfil mais experiente, chegando a consultar nomes como Otto Alencar e José Guimarães, que não aceitaram a missão.
Na área econômica, a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo também provoca impacto direto na condução da política fiscal. Ele foi substituído por Dario Durigan, até então secretário-executivo, numa tentativa de manter a continuidade da equipe.
Outro movimento relevante foi a saída de ministros com forte peso político e eleitoral, como Simone Tebet, que deixa o Planejamento, e Camilo Santana, da Educação. Também deixam o governo nomes como Marina Silva, Rui Costa, Renan Filho e Carlos Fávaro, todos com protagonismo em suas áreas e agora voltados para projetos eleitorais.
A saída de Geraldo Alckmin chama atenção pelo simbolismo. Vice-presidente e figura central na composição da frente ampla que elegeu Lula, ele deixa o cargo para se reposicionar no cenário político, abrindo uma lacuna importante no equilíbrio interno do governo.
Na ala mais ideológica e social, também deixam seus postos ministras como Anielle Franco e Sônia Guajajara, além de Paulo Teixeira e Macaé Evaristo, todos ligados a pautas sociais relevantes.
No total, são 17 ministros que deixam o governo, num movimento que redesenha a Esplanada e expõe o grau de dependência do governo em relação ao calendário eleitoral.
Em meio a essa reconfiguração ampla, a Paraíba não apenas mantém espaço como preserva posições estratégicas dentro do governo Lula.
No Ministério das Comunicações, Frederico Siqueira permanece no cargo. Ele assumiu a função em abril do ano passado, após deixar a presidência da Telebras, e desde então consolidou sua posição no governo. Embora seja pernambucano de origem, construiu sua trajetória profissional na Paraíba, onde desenvolveu sua carreira e criou vínculos sólidos. É tratado, politicamente, como um nome da Paraíba dentro da Esplanada — e com legitimidade.
Já no Turismo, Gustavo Costa Feliciano segue como ministro desde dezembro de 2025. Sua permanência, em meio a uma saída em massa de colegas, reforça seu prestígio interno e mantém a Paraíba com presença direta em uma área estratégica para o desenvolvimento econômico do Nordeste.
Ou seja, enquanto o governo enfrenta turbulência, reorganiza sua base e lida com disputas internas, a Paraíba atravessa a tempestade com dois assentos garantidos na mesa principal.
Veja os ministros que deixam o governo:
– Geraldo Alckmin
– Camilo Santana
– Marina Silva
– Simone Tebet
– Carlos Fávaro
– Rui Costa
– Gleisi Hoffmann
– Silvio Costa Filho
– André Fufuca
– Renan Filho
– Anielle Franco
– Jader Filho
– Waldez Góes
– Sônia Guajajara
– Paulo Teixeira
– Wolney Queiroz
– Macaé Evaristo
