Se a eleição presidencial fosse disputada apenas em solo paraibano, o resultado nem precisaria esperar a apuração total das urnas. Os números do segundo turno das eleições presidenciais, concluídos neste domingo (25), deixaram claro que a Paraíba se consolidou como uma das fortalezas mais fiéis e inexpugnáveis do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enquanto a disputa nacional exigiu cada voto em estados estratégicos, no território paraibano o cenário lembrou uma verdadeira goleada eleitoral. Lula alcançou 67,46% dos votos válidos (1.793.862 votos), contra 32,54% (865.159 votos) de Flávio Bolsonaro (PL). A vantagem foi de impressionantes 928.703 votos — uma distância de quase 35 pontos percentuais.
A “onda vermelha” que só fez crescer
O dado mais curioso da apuração não foi apenas a vitória de Lula, mas a velocidade com que o petista expandiu sua base de eleitores no estado entre o primeiro e o segundo turno.
O salto de Lula: O presidente ganhou 252.735 novos votos em relação à primeira votação (passando de 1.541.127 para 1.793.862), o que representa um crescimento de 6,15 pontos percentuais.
O teto do PL: Flávio Bolsonaro até conseguiu somar votos em relação ao primeiro turno — crescendo 33.782 sufrágios —, mas viu sua fatia percentual encolher de 33,07% para 32,54%.
Ritmo desproporcional: O crescimento da votação de Lula entre os dois turnos foi quase oito vezes maior do que o do seu adversário.
A matemática eleitoral mostra que a busca do candidato do PL por votos de terceiros ou por eleitores indecisos esbarrou em um teto rígido na Paraíba. Cada movimento da oposição para tentar cavar espaço no estado acabou superado por uma mobilização ainda maior da militância e do eleitorado governista.
Um bastião decisivo para o quarto mandato
O desempenho na Paraíba reforça o papel do Nordeste como o pilar mais sólido da sustentação eleitoral do PT. A margem ampliada no estado não apenas garantiu uma vitória folgada na região, como injetou quase 1,8 milhão de votos diretos na contagem nacional que carimbou o quarto mandato de Lula no Palácio do Planalto — garantindo sua permanência no poder até dezembro de 2030.
Para a oposição, o resultado deixa uma lição clara sobre a geografia política brasileira: tentar furar o bloqueio petista na Paraíba continua sendo uma das tarefas mais indigestas da política nacional.