quinta-feira, 14 de maio de 2026
Pano ou gasolina? Áudio de Flávio racha a direita e expõe disputa interna pelo Planalto
14/05/2026 05:46
Redação ON Reprodução

O vazamento do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, produziu um efeito bomba no campo conservador. Longe de gerar uma reação uniforme, o episódio mostrou as fraturas internas da direita brasileira – especialmente entre os potenciais candidatos a 2026. Enquanto alguns preferiram passar um pano, outros decidiram atear fogo e jogar gasolina na fogueira.

“Ficou feio, mas não é crime”

Na Paraíba, o deputado estadual Walber Virgulino (PL) tentou equilibrar-se num fio de navalha. Em declaração ontem à noite, afirmou que do ponto de vista legal o episódio está “perfeitamente acobertado”, classificando-o como um empréstimo privado. Contudo, admitiu o desgaste moral: “Do ponto de vista moral, eu acho que ficou pouco feio. Quem quer ser presidente do Brasil tem que ter cuidado, tem que ser e parecer ser.”

Apesar da crítica, Virgulino manteve o apoio ao senador – mas viu a oposição local, como a presidente do PT-PB, Cida Ramos, lembrar que ele tentou conceder a Flávio a medalha Epitácio Pessoa, maior honraria da Assembleia Legislativa. “Flávio Bolsonaro até o pescoço no maior escândalo de corrupção da história”, provocou Cida.

A suspensão verbalizada: Caiado e Zema

Outros dois postulantes da direita ao Planalto foram mais incisivos, ainda que em tons distintos. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) cobrou transparência: “Isso precisa ser esclarecido.” Já Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas, foi além. Para ele, o áudio representa “um tapa na cara do povo brasileiro” e qualificou a conduta como “imperdoável”. Ambos, na prática, mantiveram uma suspensão de apoio – uma distância crítica que já alimenta especulações sobre racha na oposição.

Sostenes contra-ataca

A fala mais emblemática do “fogo na fogueira” partiu do líder do PL na Câmara, Sostenes Cavalcante (PL-RJ). Em discurso inflamado, ele defendeu Flávio Bolsonaro com unhas e dentes: “Meu amigo Flávio, siga firme, de cabeça erguida. Mesmo que alguns aí da direita – sim, querem se aproveitar do momento – nós sabemos que o que nos une é lutar até o fim para livrar o Brasil dos vermelhinhos.” A alfinetada foi direcionada justamente a nomes como Caiado e Zema, insinuando que usam o escândalo para tirar Flávio do caminho na disputa presidencial.

O senador Efraim Filho, pré-candidato ao governo pelo Partido Liberal, por enquanto está em silêncio, apenas postou nos stories o vídeo de Flávio Bolsonaro, tentando dar uma explicação aos seus eleitores e exigindo a CPI do Banco Máster.

O deputado paraibano Cabo Gilberto foi outro que subiu à tribuna para dizer que o PT, “o partido mais corrupto do Brasil, envolvido em todos os escândalos, com o seu chefe (Lula), o maior ladrão, está falando agora em CPI do Banco Master. Desde o início nós queremos CPI, batemos recorde de assinaturas, não há problema em investigar todos”.

Em suas redes, Cabo Gilberto também postou o vídeo de postou o vídeo de Flávio Bolsonaro.

Produtora desmente Flávio

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, afirmou em nota que a produção não recebeu “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”. Dark Horse é um filme biográfico sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A nota da produtora contradiz a versão do próprio pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro. Em nota, Flávio admitiu ter conversado com Daniel Vorcaro, mas afirmou que buscava “patrocínio privado para um filme privado” sobre a história de seu pai.

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