O padre paraibano Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, foi notificado extrajudicialmente por Gilberto Gil e Flora Gil após declarações feitas durante uma homilia na Paróquia de São José, em Areial (PB), no dia 27 de julho, uma semana após a morte de Preta Gil.
Na pregação, o sacerdote usou a morte da cantora como exemplo e afirmou:
“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”
A fala foi considerada pela família como ofensiva às religiões de matriz africana e desrespeitosa à memória da artista. Segundo o documento enviado ao padre, ele teria desqualificado crenças afro-brasileiras, chamando-as de “forças ocultas” e sugerindo que “o diabo levasse” seus praticantes.
A notificação afirma que o padre “debochou da fé atribuída à cantora e ao seu pai” e que sua postura configura violação à liberdade religiosa, crime previsto no Código Penal, cuja pena pode chegar a cinco anos de prisão. O texto também ressalta que o episódio se torna mais grave por ter ocorrido durante uma função sacerdotal, o que poderia incentivar fiéis à intolerância.
A repercussão levou ao registro de três boletins de ocorrência contra o religioso. A Polícia Civil abriu investigação para apurar o caso.