A Prefeitura de Campina Grande voltou a divulgar com entusiasmo o cronograma das obras de infraestrutura do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Segundo os comunicados oficiais emitidos pela Secretaria de Obras e pela Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), as intervenções seguem em ritmo constante com a promessa de entregar, no segundo semestre de 2027, um corredor estruturante com 13 estações conectando bairros residenciais, polos universitários e áreas industriais.
O tom ufanista do material distribuído à imprensa, no entanto, chama atenção por um detalhe que passou longe das linhas oficiais: a ausência completa de menção ao Governo Federal, verdadeiro fiador e financiador da empreitada.
Apesar de a gestão municipal figurar como contratante das obras operacionais e gerenciadora dos impactos no trânsito urbano, o projeto do VLT só existe porque conta com o respaldo técnico e financeiro de Brasília em frentes decisivas:
Aporte financeiro direto: A elaboração do projeto executivo e a requalificação da área contam com R$ 7,2 milhões do Novo PAC (Programa de Aceleração do Exercício/Ministério das Cidades e Ministério dos Transportes).
Financiamento habilitado: O município obteve autorização formal do Ministério das Cidades, publicada no Diário Oficial da União, para captar operações de crédito voltadas ao custeio das grandes intervenções de mobilidade.
Cessão do patrimônio público: O leito ferroviário onde o VLT vai trafegar pertence à União. A obra só foi autorizada após a assinatura do Termo de Cessão de Uso da faixa de domínio por órgãos como o Ministério dos Transportes, o DNIT e a ANTT, além do aval do IPHAN pelo tombamento histórico do trecho.
A prática da ‘paternidade’ exclusiva
A tática de “nacionalizar os custos e municipalizar os louros” não é exclusividade de Campina Grande. Trata-se de um vício institucional antigo e recorrente em prefeituras e governos estaduais por todo o Brasil, independentemente de filiação partidária.
Ao transformar investimentos viabilizados por programas federais em peças de propaganda exclusiva da gestão local, a comunicação institucional falha no seu dever republicano de transparência. O cidadão campinense tem o direito de saber que a melhoria na mobilidade da sua cidade resulta da integração entre o município e a União — e, sobretudo, de onde realmente saem os recursos dos impostos que pagam a conta.
