Pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-governador Ricardo Coutinho (2011-2018) mantém indefinido o voto para o governo do Estado na eleição deste ano. Declarações públicas e episódios recentes revelam um comportamento marcado por tensões com o atual governador, críticas à gestão estadual e uma promessa de lealdade ao presidente Lula que ainda não se traduziu em anúncio formal.
No início do ano, após a desincompatibilização do governador João Azevedo (PSB) para disputar o Senado, Ricardo Coutinho afirmou que votaria no candidato indicado por Lula. “A coisa mais importante é a reeleição de Lula. Se Lula indicar um candidato, votarei nele”, declarou na ocasião.
O ex-governador, no entanto, não confirmou voto em João Azevedo – com quem é historicamente rompido. Nos últimos dias, Ricardo Coutinho passou a criticar duramente uma parceria público-privada (PPP) firmada pelo governo de Lucas Ribeiro (Republicanos) – que assumiu o Estado em abril e é o pré-candidato à reeleição – com uma empresa espanhola envolvendo a Cagepa. As críticas foram classificadas por ele como uma “privatização” do serviço de água e esgoto.
No entanto, a divulgação de um documento oficial de 2012, do próprio governo Ricardo Coutinho, mostrou que ele havia planejado uma PPP semelhante, com operação equivalente à que hoje critica. O documento contraria a argumentação atual do ex-governador. Diante da exposição, Ricardo Coutinho atribuiu o vazamento a Nonato Bandeira e fez um desabafo à imprensa neste fim de semana. “Só voto em Lucas Ribeiro se ele demitir Nonato”, declarou, referindo-se a Bandeira como chefe de um suposto “Gabinete do Ódio”.
O episódio evidenciou desconforto: o ex-governador viu seu próprio passado administrativo ser usado para questionar seu posicionamento atual. Criou-se então este impasse em relação ao seu futuro posicionamento. As possibilidades, com base em seus atos e declarações, incluem: votar em Lucas Ribeiro, mantendo lealdade a Lula mas contradizendo as críticas à PPP; votar em outro candidato, rompendo com a indicação de Lula; ou manter indefinição prolongada, evitando confronto direto com ambos.
A pré-campanha de Ricardo Coutinho a deputado federal adiciona uma camada ao cálculo: qualquer decisão sobre o voto ao governo pode afetar alianças e apoios necessários para sua própria eleição.