O apoio do ex-deputado federal Pedro Cunha Lima à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao Governo da Paraíba, veio acompanhado de uma definição importante: ele não será o vice da chapa. A hipótese chegou a ser considerada nos bastidores, mas acabou descartada. Pedro terá um papel estratégico na coordenação da elaboração do plano de governo, função anunciada publicamente por Cícero durante evento realizado nesta sexta-feira, em Campina Grande.
Ao explicar a escolha, Cícero destacou que pretende organizar não apenas um plano de governo, mas também um plano de ação, e afirmou que aprendeu esse modelo com Ronaldo Cunha Lima, ao defender a ideia de uma gestão com “dois governadores”, em referência ao peso político e administrativo que o vice pode exercer. Ainda assim, deixou claro que, neste momento, Pedro será convidado oficialmente para coordenar a construção do programa de governo, e não para compor a chapa majoritária.
Pedro Cunha Lima foi candidato ao governo do Estado na última eleição, chegou ao segundo turno contra o atual governador João Azevêdo e obteve mais de um milhão de votos. À época, consolidou-se como uma das principais lideranças da oposição e, naturalmente, surgia como nome competitivo para uma nova disputa estadual. No entanto, ao longo do último ano, sua eventual candidatura foi perdendo força. No fim de 2025, Pedro chegou a declarar publicamente que pretendia se afastar um pouco da política, estudar no exterior e retornar em um momento posterior.
Mesmo fora da linha de frente eleitoral, Pedro manteve capital político suficiente para, se quisesse, disputar uma vaga de deputado federal com relativa tranquilidade. Ainda assim, foi convencido a integrar o projeto liderado por Cícero Lucena, assumindo um papel mais técnico e estratégico na campanha, voltado à formulação de propostas e diretrizes de governo.
No primeiro momento, a avaliação de aliados era de que Pedro poderia ser um nome forte para a vaga de vice, especialmente pela simbologia política e pelo peso eleitoral que carrega. Essa possibilidade, porém, não se confirmou. Cícero reforçou que a vaga de vice deverá ficar com um nome de Campina Grande, mas não avançou em definições.
Outro ponto que chamou atenção no evento foi a ausência do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima. Ele havia sinalizado desde o dia anterior que dificilmente compareceria e, de fato, não esteve presente. Com isso, o apoio recebido por Cícero por parte da família Cunha Lima foi interpretado como parcial, restrito à adesão de Pedro ao projeto, sem o engajamento institucional do prefeito da principal cidade do interior do Estado.
O gesto de Pedro Cunha Lima, ainda assim, tem peso político e simbólico relevante. Mesmo fora da disputa majoritária, ele se posiciona como articulador e formulador de um projeto que busca ampliar a base da pré-candidatura de Cícero Lucena e dar musculatura programática à campanha governista.