Jorge Sampaoli não caiu no Atlético-MG apenas por resultado ruim ou tropeço em campo. A queda do técnico argentino teve endereço, nome e sobrenome: Hulk. O paraibano, ídolo do clube, virou alvo da implicância de Sampaoli e, no fim das contas, foi mais forte do que o treinador no jogo de bastidores.
A demissão foi anunciada horas depois do empate em 3 a 3 com o Remo, pela terceira rodada do Brasileirão. A nota oficial do Atlético foi educada, cheia de agradecimentos e votos de sucesso. Mas, por trás do comunicado formal, a relação já estava corroída havia semanas. O ambiente interno vinha pesado, e a diretoria passou a conviver com um desgaste que não se resolvia mais com conversa.
Sampaoli defendia uma reformulação que incluía a não renovação do contrato de Hulk. Mesmo com a direção deixando claro que o atacante é peça central do projeto do clube, o treinador insistia no tema, como quem compra uma briga que não tem como ganhar. No Atlético de hoje, Hulk não é só um veterano em fim de carreira: é liderança, referência técnica e elo direto com a torcida.
Foi aí que a corda arrebentou para o lado mais fraco. A diretoria avaliou que bancar a saída de um ídolo com respaldo no elenco e nas arquibancadas custaria caro demais, politicamente e esportivamente. O técnico, isolado e em rota de colisão com o clube, acabou virando o elo descartável da relação.
O comentarista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, reforçou que os problemas que derrubaram Sampaoli foram muito mais de comportamento e convivência interna do que de bola rolando. Pesaram a dificuldade de trabalhar em conjunto, a resistência em acatar decisões da direção e os atritos com o departamento de análise de desempenho.
No fim, ficou a lição que o futebol brasileiro ensina há décadas: técnico que compra guerra com ídolo raramente sai vencedor. Sampaoli tentou peitar o paraibano mais influente do Atlético e acabou caindo do cavalo. Hulk segue no Galo. O argentino, dessa vez, foi embora levando na bagagem a própria teimosia.