O torpedo de Romero Rodrigues contra pesquisas – e a explicação que a Paraíba espera
15/11/2025 05:23
Redação ON Reprodução

O deputado federal Romero Rodrigues, ex-prefeito de Campina Grande e nome de peso da oposição paraibana, sacudiu o cenário político nesta sexta-feira ao conceder entrevista à Rádio Correio FM. De forma direta, afirmou que a oposição está “cheia de vaidades” e que esse ambiente tem inviabilizado uma aliança sólida para 2026. A crítica atinge em cheio todos que hoje se colocam como alternativas ao bloco governista de João Azevêdo – de Cícero Lucena a Pedro Cunha Lima, passando por Efraim Filho e Marcelo Queiroga.

Mas o trecho mais sensível da entrevista não teve a ver com articulação política, e sim com as pesquisas eleitorais divulgadas no estado. À Correio FM, Romero afirmou: “Pesquisa divulgada, não sei se nem é verídica. Estamos numa época que não deveria ter divulgação de pesquisa. A pesquisa só é boa quando é paga.” Uma frase pesada, que sugere manipulação e coloca sob suspeita empresas e levantamentos que norteiam o debate público.

A questão é: no que exatamente Romero está se baseando? Está falando de alguma experiência concreta? Deu a entender que sim – mas não disse. E quando um deputado federal afirma que pesquisa só funciona para quem paga, o mínimo que se espera é uma explicação clara ao eleitor paraibano.

As eleições em que Romero venceu

Romero Rodrigues conhece pesquisas eleitorais não apenas como espectador, mas como protagonista. Participou de duas disputas majoritárias para a Prefeitura de Campina Grande e venceu ambas – em 2012 e em 2016. E em ambas as ocasiões, vale lembrar, as pesquisas refletiam com precisão o cenário que se confirmou nas urnas.

Em 2012, então no PSDB, Romero chegou ao segundo turno contra Tatiana Medeiros (PMDB) e venceu com 59,14% dos votos válidos (130.106 votos), contra 40,86% da adversária (89.887 votos). À época, os institutos mostravam Romero na dianteira durante toda a campanha. A vitória encerrou um ciclo de oito anos do PMDB no comando do município e confirmou o favoritismo apontado pelos levantamentos.

Quatro anos depois, em 2016, o desempenho foi ainda mais expressivo: Romero foi reeleito no primeiro turno com 62,85% dos votos válidos (138.996 sufrágios). O segundo colocado, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), ficou distante, com 24,34%. Mais uma vez, as pesquisas indicavam uma vitória folgada, que se confirmou exatamente como projetado.

Ou seja: nas duas vezes em que Romero testou seu próprio nome em disputas majoritárias, as pesquisas funcionaram – e funcionaram bem. Os números captaram sua força eleitoral, a tendência de vitória e a distância para os adversários.

É justamente por isso que sua fala de agora causa estranheza. Quando Romero diz que “a pesquisa só é boa quando é paga”, deixa aberta uma suspeita grave, que colide inclusive com sua própria trajetória de candidato vitorioso.

A menos que tenha informações que não tornou públicas, o eleitor paraibano continuará esperando a explicação que ele ainda não deu. Que lógica é essa que Romero agora enxerga? Com base em que ele lança essa dúvida sobre um instrumento que registrou corretamente as duas vitórias que o levaram ao topo da política campinense?

A Paraíba merece que ele esclareça.

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