O silêncio de Pedro e o grito de Bruno: os caminhos opostos da família Cunha Lima para 2026
17/12/2025 05:19
Redação ON Reprodução

A eleição de 2026 começa a desenhar um dilema pouco comum na trajetória política da família Cunha Lima. Pela primeira vez em muitos anos, o sobrenome que sempre funcionou como eixo de convergência passa a representar caminhos distintos, quase opostos, dentro do mesmo grupo familiar.

De um lado está Pedro Cunha Lima, protagonista da eleição de 2022, quando chegou ao segundo turno contra o governador João Azevêdo e ultrapassou a marca de um milhão de votos. Com capital político preservado e condições reais de retornar à Câmara Federal com relativa tranquilidade, Pedro decidiu, ao menos por ora, sair de cena. Já anunciou publicamente que não pretende disputar nenhum cargo em 2026, decisão que surpreendeu aliados e segue sendo alvo de tentativas de reversão.

Entre os que trabalham para convencer Pedro a rever essa posição está o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. O movimento é claro: manter Pedro no tabuleiro, seja como candidato ou como peça estratégica de uma chapa majoritária. A hipótese de uma composição como vice é ventilada nos bastidores, mas ainda sem qualquer definição formal. O esforço, no entanto, revela o peso que Pedro ainda exerce no campo oposicionista, mesmo em silêncio.

O grito de Bruno

No outro extremo da família está o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima. Diferentemente do primo, Bruno decidiu falar. E falar alto. Apesar de a família ter anunciado oficialmente apoio a Cícero Lucena no dia da filiação do prefeito da capital ao MDB, em novembro, o gestor campinense resolveu expor publicamente sua posição sobre 2026 e sinalizou apoio à candidatura do senador Efraim Filho.

Ao justificar sua escolha, Bruno adotou um discurso direto, baseado em coerência política e identidade partidária. Para ele, não há argumento plausível que o impeça de apoiar Efraim. “Não existe dívida. Mas, se existe uma lógica de convivência e de respeito, por coerência, até porque nós estamos no mesmo partido, qual é o argumento que alguém poderia apresentar para eu não votar em Efraim?”, questionou. Em seguida, reforçou: “Você pode me dar 20 motivos para votar em quem quer que seja. Eu quero que me digam um para eu não votar em Efraim”.

A fala soa como um gesto de autonomia e, ao mesmo tempo, como um rompimento claro com a lógica de alinhamento automático que sempre marcou as decisões do grupo.

A frase resume bem esse momento: enquanto Pedro prefere a pausa, Bruno reivindica o direito de escolher. O contraste entre o silêncio calculado de um e o posicionamento explícito do outro revela que, em 2026, a família Cunha Lima não estará unida por um projeto único, mas atravessada por visões diferentes sobre estratégia, alianças e protagonismo.

Mais do que um impasse eleitoral, o cenário expõe uma mudança de comportamento político. O sobrenome permanece forte, mas já não dita, sozinho, o rumo de cada um. E talvez essa seja a principal novidade do jogo que começa a se desenhar para a próxima eleição.

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