quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
O que os números chamam de classe média alta – e o que isso significa na vida real
19/01/2026 04:47
Redação ON Reprodução

Esse cálculo não nasceu de opinião, nem de percepção pessoal. Ele foi feito e apresentado pelo Portal 6, com base em dados oficiais e projeções econômicas. O desafio começa depois: entender o que essa definição representa fora das estatísticas, quando ela esbarra no cotidiano, no consumo real e na comparação inevitável com o Brasil que ganha bem menos.

No país onde tudo parece relativo — inclusive ganhar dinheiro — identificar quem pertence à chamada classe média alta exige mais do que olhar um contracheque isolado. É preciso observar padrão de vida, acesso a serviços, estabilidade financeira e, sobretudo, a distância que separa esse grupo da maioria da população.

As classificações ajudam a organizar esse cenário desigual. Dados do IBGE mostram que, em 2025, a renda média mensal do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.378, o maior patamar em mais de uma década. Um número que soa positivo, mas que ainda descreve uma realidade apertada para milhões de famílias.

Esse avanço foi impulsionado pela queda do desemprego para cerca de 6,2% e pelo crescimento do emprego formal, que superou 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada. São indicadores relevantes e usados como base para projeções econômicas de 2026, mas que não alteram, por si só, a estrutura da desigualdade brasileira.

Nas classificações mais utilizadas por economistas e pelo mercado financeiro, a classe média alta ocupa o espaço imediatamente abaixo da classe A. A elite econômica, no topo da pirâmide, concentra rendas domiciliares superiores a R$ 26 mil mensais e representa cerca de 4,4% da população. Poucos, muito poucos — e ainda assim decisivos na concentração de riqueza.

Já a classe média alta vive numa espécie de zona intermediária confortável. Ganha muito acima da média nacional, mas ainda está distante do verdadeiro andar de cima. Considerando a evolução recente da renda e os ajustes inflacionários, as estimativas indicam que, em 2026, esse grupo deve reunir domicílios com renda mensal entre R$ 12 mil e R$ 25 mil.

Na prática, isso significa acesso à educação privada, planos de saúde, financiamento imobiliário e alguma capacidade de poupança. Não é vida de luxo explícito, mas também está longe da rotina da maioria dos brasileiros. É o grupo que atravessa crises com menos sobressaltos e mais previsibilidade, ainda que sem a blindagem patrimonial da elite.

Mesmo com a melhora geral dos indicadores, a distância entre as classes permanece expressiva. A renda da classe média alta pode ser várias vezes superior à das classes populares, enquanto a classe A continua concentrando uma parcela desproporcional da riqueza nacional. O número ajuda a entender. A ironia aparece quando se percebe que, no Brasil, ganhar bem ainda depende muito de com quem se está comparando.

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