O PT adota um “jeito tucano de ser” e permanece em cima do muro na Paraíba
06/03/2026 22:07
Redação ON Reprodução

Durante muitos anos, o PT foi um dos partidos que mais criticaram o PSDB por aquilo que chamavam de postura “em cima do muro”. A acusação era simples: os tucanos demoravam a tomar decisões políticas, hesitavam em escolher lados e frequentemente pareciam incapazes de assumir posições claras em momentos decisivos.

Agora, ironicamente, é o próprio PT que vive situação semelhante na Paraíba.

O episódio mais recente deixa isso evidente. Estava prevista para esta sexta-feira, em João Pessoa, uma reunião importante do partido com a presença do presidente nacional, Edinho Silva. A expectativa era de que o encontro ajudasse a destravar o impasse sobre qual palanque o partido ocupará na eleição para o governo do Estado em 2026.

Mas, de forma inesperada, a reunião foi cancelada. A discussão foi transferida para Brasília e a presidente estadual do partido, deputada Cida Ramos, seguiu para a capital federal. A expectativa era que a decisão fosse tomada lá.

Não foi.

Cida já retornou à Paraíba e o único ponto que saiu da conversa foi algo que, na prática, ninguém tratava como dúvida: o PT não terá candidatura própria e não ficará neutro na disputa. O partido, segundo ela, terá de escolher entre dois palanques — o do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ou o do vice-governador Lucas Ribeiro (PP).

Ou seja: o PT decidiu apenas aquilo que já parecia lógico. O que continua sem resposta é justamente a pergunta principal — qual dos dois palanques o partido vai ocupar.

A situação lembra muito o período em que o PSDB ganhou fama nacional por sua dificuldade em tomar decisões políticas claras. Durante os anos posteriores aos governos de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos eram frequentemente acusados de hesitação estratégica.

Havia várias razões para essa imagem. O partido evitava defender de forma aberta medidas de seu próprio governo, como as privatizações, por receio eleitoral. Ao mesmo tempo, convivia com disputas internas entre lideranças históricas mais cautelosas e setores que defendiam uma oposição mais firme. O resultado eram notas políticas vagas, debates prolongados e decisões que demoravam a sair.

Essa percepção atingiu o auge em 2017, durante a crise do governo Michel Temer, quando o PSDB levou meses dividido entre permanecer na base governista ou abandonar o governo.

O rótulo de “em cima do muro” acabou se tornando uma marca política.

Na Paraíba de hoje, a situação do PT lembra muito esse roteiro. O partido já reconheceu que terá palanque, já descartou candidatura própria e já sabe quais são as duas opções possíveis. Falta apenas escolher.

Mas essa decisão, por enquanto, continua suspensa no ar.

Enquanto isso, o partido que durante décadas cobrou definições rápidas dos adversários agora vive exatamente o mesmo dilema que tanto criticou.

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