João Pessoa, terça-feira, 8 de setembro de 2026
O nó cego das coligações: como a vice de Flávio Bolsonaro empurra o PP da Paraíba para uma saia justa
31/07/2026 06:29
Redação ON Reprodução

A política nacional foi sacudida no final da tarde desta quinta-feira com uma movimentação tectônica nos bastidores de Brasília: a aceitação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor, como candidata a vice-presidente, a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). A indicação, embora ventilada há meses como o “sonho de consumo” do bolsonarismo, joga uma luz sobre o emaranhado de contradições que marca as alianças partidárias no Brasil.

Para além da burocracia partidária — que ainda exige a bênção formal da Federação União Progressista e a pacificação do cacique Ciro Nogueira, cuja relação com Flávio estremeceu após os desdobramentos do caso Banco Master —, a eventual oficialização do acordo expõe o verdadeiro “nó cego” que as convenções nacionais costumam dar na política regional.

E em nenhum lugar esse nó promete ser tão apertado quanto na Paraíba.

A saia justa no ninho dos Ribeiro

Na Paraíba, o Progressistas não é uma legenda qualquer; é o coração pulsante do Executivo estadual. Sob o comando da família Ribeiro — representada pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro, pela senadora Daniella Ribeiro e pelo governador Lucas Ribeiro —, o PP paraibano construiu e consolida sua trajetória em simbiose direta com o Palácio do Planalto e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A contradição que se avizinha é monumental: como a cúpula do PP paraibano, aliada de primeira hora do PT de Lula, conseguirá equilibrar o discurso nos palanques locais se a vice da chapa de oposição a Lula for uma quadra do seu próprio partido?

O desconforto não é teórico, é prático e recente. O próprio governador Lucas Ribeiro sentiu na pele o rigor da Justiça Eleitoral ao ser multado pelo TRE-PB por propaganda antecipada justamente ao usar a simbiose dos “dois Ls” — o “L de Lucas” entrelaçado ao “L de Lula”. A sintonia eleitoral com o lulismo é o pilar da estratégia governista no estado.

Como explicar ao eleitor paraibano que o PP nacional e sua principal figura feminina, Tereza Cristina, marcham ao lado do herdeiro político de Jair Bolsonaro, enquanto o PP da Paraíba pede votos para reconduzir Lula ao Planalto?

O “efeito colateral” nos palanques do Nordeste

Esse curto-circuito entre a lógica de Brasília e a realidade dos estados não é exclusividade paraibana, mas reflete o pragmatismo fragmentado que domina a região.

Basta olhar para a vizinha Pernambuco. Ali, a disputa entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife, João Campos, escancara o mesmo nó. Enquanto João Campos é o aliado natural e oficial do PT e de Lula, Raquel Lyra opera uma atração pragmática sobre alas petistas regionais, alimentando nos bastidores o slogan informal da chapa “Luquel” (Lula + Raquel).

O cenário pernambucano prova que as fronteiras partidárias e as direções nacionais viraram meros detalhes formais diante da necessidade de sobrevivência nas urnas estaduais.

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