quinta-feira, 12 de março de 2026
O movimento nacional contra o feminicídio chega às ruas da Paraíba
08/12/2025 06:01
Redação ON Reprodução

O protesto realizado neste domingo em João Pessoa não foi um ato isolado. Ele faz parte de uma mobilização que se espalhou por diversas cidades brasileiras no mesmo fim de semana, como resposta a um dado que assombra o país inteiro: só em 2025, o Brasil já ultrapassou a marca de mil feminicídios registrados oficialmente. A Paraíba, ao se somar às manifestações, apenas confirmou que também está inserida nesse retrato de urgência nacional.

Sob o lema “Mulheres vivas”, o movimento reuniu nas ruas da capital paraibana mulheres, homens, famílias inteiras, organizações sociais e coletivos feministas. Cartazes, faixas e palavras de ordem transformaram o protesto em um apelo público direto ao Estado por políticas mais eficazes de prevenção, proteção e punição. O que se viu foi uma manifestação com forte adesão e, sobretudo, com um recado claro: a violência de gênero deixou de ser apenas um drama privado para se consolidar como uma crise pública.

No cenário nacional, o avanço dos feminicídios tem exposto as fragilidades das redes de proteção, a insuficiência de políticas permanentes e a dificuldade de romper padrões históricos de violência contra a mulher. Mesmo com leis mais duras e campanhas constantes, os números seguem crescendo, o que reforça a percepção de que apenas repressão não basta. A resposta precisa ser estrutural, passando por educação, assistência social, acolhimento às vítimas, agilidade nas investigações e acompanhamento permanente dos agressores.

Na Paraíba, o ato deste domingo simbolizou mais do que um protesto pontual. Funcionou como um termômetro social de indignação e de pressão sobre o poder público local, alinhado a um movimento nacional que cobra respostas imediatas. A presença de diferentes gerações nas ruas também evidencia que o tema deixou de ser restrito a grupos específicos e passou a mobilizar a sociedade como um todo.

O recado que ecoou de João Pessoa ao restante do país é o mesmo que vem sendo repetido de Norte a Sul: não se trata apenas de estatística, mas de vidas interrompidas diariamente. E enquanto os números continuarem a subir, as ruas seguirão sendo palco de cobrança, luto e resistência.

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