domingo, 1 de fevereiro de 2026
O início de ano desastroso do Botafogo-PB, e o jogo de sete erros
01/02/2026 08:52
Por Marcondes Brito Reprodução

A goleada sofrida diante do Campinense, em Campina Grande, não foi apenas mais um tropeço no Campeonato Paraibano. Foi um choque de realidade. Um banho de água fria em um torcedor que começou o ano cheio de expectativa e terminou a noite em estado de pânico. Para um clube que se apresenta como o mais estruturado, mais rico e mais ambicioso do futebol paraibano, o início de temporada do Botafogo da Paraíba é um desastre anunciado. E não por acaso. Ele pode ser explicado em, pelo menos, sete erros claros.

O falso planejamento para 2026

O discurso era de longo prazo, de organização, de projeto. Na prática, a primeira decisão do chamado “planejamento para 2026” foi demitir quem havia salvado o clube do abismo. Evaristo Piza, o técnico que livrou o Botafogo do rebaixamento para a Série D na temporada passada não teve o contrato renovado. A promessa era de um salto de qualidade, de um nome experiente e capaz de liderar um novo ciclo. O que veio foi apenas ruptura, sem garantia de evolução. Ah, sim: Everisto Piza hoje está no Campinense, que ontem atropelou o Belo no Amigão.

A escolha do treinador

A contratação de um treinador jovem, com currículo restrito a categorias de base e uma passagem traumática pela Série A (levou o Cuiabá ao rebaixamento), simboliza tudo o que está errado na condução do futebol do clube. Bernardo Franco chegou falante, didático, dando lições sobre gramado e estrutura. Em campo, porém, o Botafogo leva sacode atrás de sacode. A aposta, que já era questionável, virou problema em poucas semanas.

O confronto desnecessário com o governo

Era fato que o gramado do Almeidão precisava de ajustes. Bastava uma semana. Havia alternativas. O Estádio da Graça, por exemplo, comportaria perfeitamente um jogo de baixo apelo, com público inferior a mil pessoas. Ainda assim, a diretoria preferiu o confronto político. Brigou com a Secretaria de Esporte e Juventude e tomou uma decisão inédita e desastrosa: mandar um jogo do Campeonato Paraibano em Natal. O resultado foi um empate sem alma contra o Esportes de Patos e um desgaste político completamente evitável. Vale lembrar que o governador João Azevêdo, antes de ser político, é torcedor histórico do Botafogo.

Salários fora da realidade

A contratação de Nenê foi tratada como um acontecimento. E o jogador, de fato, tem carreira e história (já vestiu a camisa 10 do PSG, a mesma que foi de Neymar e R-10). O problema não é o atleta, é o contexto. Circula nos bastidores a informação de um salário em torno de 200 mil reais. Nunca confirmado. Nunca desmentido. Mesmo que ele mereça, o futebol paraibano não comporta esse patamar. Não por falta de ambição, mas por limite econômico. É simples: aqui não se paga esse tipo de salário sem comprometer todo o resto.

A caixa-preta das finanças

O Botafogo passou a conviver com números nebulosos. A situação envolvendo Nenê é um exemplo. Outro é a venda do mando de campo do jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, disputado em São Luís. Falou-se em R$ 6 milhões, incompatíveis com a renda divulgada. Nada foi oficialmente confirmado ou desmentido. A gestão financeira virou um mistério, e mistério, em futebol, sempre cobra seu preço.

Ingressos caros para um futebol pobre

O Botafogo cobra um dos ingressos mais caros do Brasil, acima de clubes da Série A, como Santos e Atlético-MG, por exemplo, com média próxima de 70 reais. Para assistir a que tipo de futebol? Um time desorganizado, frágil e derrotado com frequência. É uma afronta ao torcedor, majoritariamente de baixo poder aquisitivo. A arquibancada sol poderia ser popular, entre 10 e 20 reais, cheia, viva. Não existe prejuízo maior do que cadeira vazia. Assim como um avião que decola com assentos livres, a renda perdida não se recupera.

O complexo de “Flamengo da Paraíba”

Talvez o erro mais simbólico de todos. A diretoria parece ter incorporado um delírio de grandeza. O Botafogo passou a se enxergar como o Flamengo da Paraíba: salários altos, discurso de potência, postura de clube dominante. Mas grandeza não se constrói com soberba, e sim com resultado, organização e inteligência de mercado. Enquanto isso, times muito mais modestos montam elencos baratos e competitivos. O Botafogo, com mais dinheiro, erra mais. Com toda essa banca de time grande, não consegue ganhar um duelo contra o Sousa, seja lá ou seja aqui.

Conclusão

O início de temporada do Botafogo da Paraíba não é azar nem fatalidade. É consequência direta de decisões ruins, mal explicadas e mal executadas. Certamente existem outros erros, além desses sete que elencamos acima. Resta saber se alguém, dentro da SAF, está disposto a parar, olhar o tabuleiro e admitir que o caminho escolhido até agora leva, mais uma vez, ao fracasso.

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