No dia seguinte ao terremoto político que sacudiu a Paraíba — com troca de prefeito pela manhã e troca de governador à tarde — o chão ainda tremia. Mas não por causa de novos abalos institucionais. O ruído veio de onde menos se esperava: uma postagem.
Logo cedo, o ex-deputado Pedro Cunha Lima resolveu aplaudir publicamente a iniciativa do novo governador, Lucas Ribeiro, de transformar a Granja Santana em um Parque Sensorial voltado para pessoas com autismo. Até aí, tudo ótimo. A causa é nobre, o projeto é bem recebido e, convenhamos, ninguém é contra um parque desses.
O problema não foi o conteúdo. Foi o contexto.
Pedro é aliado de Cícero Lucena, que acabara de deixar a Prefeitura para entrar na disputa pelo Governo. Mais do que isso: era o nome ideal para ser vice na chapa de Cícero — convite que recusou com o argumento de que não quer disputar nada agora. Nada mesmo. Nem deputado, apesar de ter votos de sobra para ganhar com folga.
E aí vem o detalhe que transforma o elogio em ruído: na campanha passada, Pedro defendia o fim da Granja Santana como residência oficial. Agora, a mesma Granja vira palco de um projeto que ele celebra — e justamente conduzido por um adversário direto do seu aliado político.

Resultado: a postagem virou um pequeno abalo secundário no epicentro ainda quente da política paraibana.
Durou pouco. O suficiente para circular, causar estranheza e ser rapidamente apagada. O velho roteiro da política digital: publicou, repercutiu, apagou — mas não deu tempo de evitar o print, o comentário e, claro, a interpretação.
No fim das contas, nada muda o mérito da iniciativa, que segue sendo positiva. Mas o episódio serve como lembrete de que, na política, até elogio precisa de cálculo. Especialmente no dia seguinte a um terremoto.
