Novos cargos no STF e embates na Paraíba: decisões de Hugo Motta provocam reações
09/07/2025 11:01
Redação ON Reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira (9), por 209 votos a 165, a criação de 160 novas funções comissionadas no Supremo Tribunal Federal (STF). As novas vagas, que serão distribuídas entre os gabinetes dos ministros, terão custo estimado em R$ 7,8 milhões por ano.

A proposta foi articulada e colocada em pauta pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tem adotado um discurso público de austeridade fiscal, cobrando contenção de gastos do governo federal. A incoerência entre o discurso e a prática gerou forte repercussão nas redes sociais e entre parlamentares.

O relator do projeto, deputado Bruno Farias (Avante-MG), afirmou que os cargos estão dentro do teto orçamentário do STF e não provocam impacto adicional nas contas públicas. Ainda assim, a medida foi criticada por ocorrer em meio à crise fiscal e às discussões sobre ajustes orçamentários.

Sete deputados federais da Paraíba participaram da votação. Confira como votaram:

SIM

            •          Aguinaldo Ribeiro (PP)

            •          Gervásio Maia (PSB)

            •          Luiz Couto (PT)

            •          Mersinho Lucena (PP)

            •          Romero Rodrigues (Podemos)

NÃO

            •          Ruy Carneiro (Podemos)

            •          Cabo Gilberto Silva (PL)

Entre os que rejeitaram o projeto, o deputado Cabo Gilberto Silva classificou a medida como “imoral e injusta” para os pagadores de impostos.

“Aumentar cargos? Aumentar despesas? Os senhores estão achando pouco? Só tem 11 ministros com todas essas despesas que eles já gastam?”, protestou em plenário.

Não foi a única polêmica

No fim de junho, a Câmara também aprovou outro projeto controverso: o aumento do número de deputados federais de 513 para 531, a partir da legislatura de 2027. A medida foi vista como uma forma de manter o tamanho das bancadas de estados que perderiam cadeiras com base no Censo de 2022. O texto agora aguarda sanção presidencial.

Ambas as decisões contrastam com o discurso de responsabilidade fiscal, mas mostram que o Congresso segue ampliando sua estrutura e poder interno.

Motta na mira de aliados

As decisões de Hugo Motta em Brasília têm ecoado fortemente em seu estado natal, a Paraíba. Após a votação relâmpago dos cargos no STF, Cabo Gilberto passou a exigir explicações públicas do conterrâneo.

Na semana passada, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (Republicanos), também se irritou com Hugo. Galdino chegou a dizer que “botaria o dedo na cara” do presidente da Câmara, em meio à disputa interna sobre quem será o candidato do partido ao governo do estado em 2026.

A sequência de desgastes políticos indica que, quando pisar novamente em solo paraibano, Hugo Motta enfrentará cobranças diretas de aliados e adversários — muitos dos quais hoje se sentem preteridos ou contrariados pelas decisões tomadas em Brasília.

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