O pontapé inicial das Eleições de 2026 ocorreu neste domingo (16) com o início oficial da campanha eleitoral, levando os dois principais nomes na corrida à Presidência da República de volta às suas origens políticas. Em estratégias paralelas voltadas a mobilizar suas bases no Sudeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a Região Metropolitana de São Paulo, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) promoveu seu ato inaugural na capital fluminense. Ambos os discursos focaram no eleitorado da região, apontada como decisiva por concentrar o maior colégio eleitoral e a principal parcela de indecisos do país.
Em São Bernardo do Campo (SP), Lula reuniu aliados, movimentos sociais e militantes no histórico Estádio 1º de Maio — a antiga Vila Euclides. O local resgata simbolicamente o surgimento de sua trajetória política no final dos anos 1970, quando o petista liderou as grandes greves de metalúrgicos do ABC paulista que impulsionaram a criação do PT e da CUT. Em um ato de apelo emocional e de exaltação ao legado trabalhista, o candidato à reeleição reforçou seu discurso direcionado à classe trabalhadora e à reconstrução social, ladeado por figuras centrais de sua composição governamental, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Fernando Haddad.
Flavio no Rio
Simultaneamente, Flávio Bolsonaro reuniu apoiadores na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, epicentro tradicional das manifestações do movimento bolsonarista. Ao lado do seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e de aliados estaduais, o candidato do PL apostou na pauta da segurança pública para alavancar seu discurso. Flávio criticou duramente a gestão federal ao associar o combate às facções criminosas e milícias ao debate sobre soberania nacional, além de evocar a herança política e as pautas conservadoras de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O contraste das duas agendas reflete os eixos estruturantes da disputa presidencial: de um lado, a narrativa da justiça social e do sindicalismo no coração industrial de São Paulo; de outro, a pauta da segurança e do nacionalismo defensivo nas arenas abertas do Rio de Janeiro. Com a liberação das atividades de rua, comícios e propaganda na internet, os atos deste primeiro dia sinalizam o ritmo intenso de embates ideológicos e programáticos que devem marcar os próximos 45 dias de corrida até o primeiro turno.
