Das 18 vagas que estarão em disputa para o Senado nos nove estados do Nordeste em 2026, 12 tendem a ficar com nomes ligados à centro-esquerda — especialmente aos partidos aliados do presidente Lula (PT, PSB, PDT, MDB e PSD). Apenas seis apresentam chances reais de vitória de candidatos da direita ou centro-direita, segundo levantamento feito pelo Metrópoles e consolidado pelo O Norte Online, a partir das pesquisas estaduais mais recentes.
O mapa eleitoral indica que o Nordeste deve manter o perfil político que marcou as últimas eleições: predominância lulista, mas com avanço moderado da direita em redutos específicos como Alagoas e Rio Grande do Norte.
Paraíba – favoritismo de Azevêdo
O governador João Azevêdo (PSB) lidera todos os cenários, seguido por Veneziano Vital (MDB). Pedro Cunha Lima (PSD) e Marcelo Queiroga (PL) aparecem atrás. A disputa reflete o equilíbrio entre a atual base governista e a oposição bolsonarista.
Tendência: centro-esquerda predominante.
Alagoas – disputa aberta
Renan Calheiros (MDB) lidera com 41%, mas enfrenta forte concorrência de Alfredo Gaspar (União) e Arthur Lira (PP), ambos tecnicamente empatados com ele. O quadro mostra um equilíbrio entre o MDB tradicional e forças da direita bolsonarista.
Tendência: centro, com leve inclinação à direita.
Bahia – lulismo dominante
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), aparece com 26%, à frente de Angelo Coronel (PSD) e João Roma (PL). A presença de dois nomes aliados do PT nas primeiras posições reforça a força da esquerda baiana.
Tendência: centro-esquerda consolidada.
Ceará – embate entre aliados
Cid Gomes (PSB) e Roberto Cláudio (PDT) dividem a liderança, ambos com histórico de apoio ao campo lulista. Contudo, nomes da direita como Capitão Wagner (União) e Pastor Alcides (PL) aparecem bem colocados, sinalizando disputa real.
Tendência: equilíbrio, leve vantagem à centro-esquerda.
Maranhão – hegemonia do grupo governista
O governador Carlos Brandão (PSB) e o senador Weverton Rocha (PDT) lideram com ampla margem, ambos da base de Lula. André Fufuca (PP) e Eliziane Gama (PSD) correm por fora.
Tendência: centro-esquerda sólida.
Pernambuco – esquerda à frente
O senador Humberto Costa (PT) tem vantagem expressiva, seguido por Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP). A força petista permanece dominante no estado.
Tendência: centro-esquerda.
Piauí – lulismo consolidado
Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), ambos aliados do presidente Lula e do governador Rafael Fonteles, lideram. O ex-ministro Ciro Nogueira (PP), principal nome bolsonarista, aparece distante.
Tendência: centro-esquerda consolidada.
Rio Grande do Norte – direita competitiva
Styvenson Valentim (PSDB) lidera com folga, seguido por Álvaro Dias (Republicanos). Nomes ligados à esquerda, como Fátima Bezerra (PT) e Zenaide Maia (PSD), aparecem empatados em terceiro.
Tendência: centro-direita.
Sergipe – indefinição total
Com 40% de indecisos e sete candidatos tecnicamente empatados, o cenário em Sergipe é o mais aberto do Nordeste. A fragmentação expressa um eleitorado sem polarização definida.
Tendência: indefinida, equilíbrio entre campos.
Em síntese…
A leitura dos nove estados indica que o Nordeste deve eleger uma maioria de senadores ligados à centro-esquerda, reproduzindo o padrão político das últimas eleições.
A força do lulismo continua predominante, especialmente em Bahia, Pernambuco, Maranhão, Piauí e Paraíba, enquanto Alagoas, Ceará e Sergipe apresentam disputas abertas e o Rio Grande do Norte desponta como o único estado com viés mais à direita.
Se as tendências se confirmarem, entre 60% e 70% das cadeiras nordestinas no Senado em 2026 deverão ser.