Na quarta-feira de fogo, em João Pessoa, o governador João Azevêdo apareceu no meio da folia das Muriçocas do Miramar, cercado de foliões, música alta e aquele clima de carnaval de rua que mistura política, povo e selfie. Dois dias depois, no sábado, o roteiro foi outro: Recife, Galo da Madrugada, maior bloco de arrasto do mundo, desta vez ao lado do presidente Lula, em um camarote que reuniu figuras centrais do PSB e aliados de diferentes partidos.
No Recife, João foi recebido pelo prefeito João Campos, que também é presidente nacional do PSB. A passagem pela capital pernambucana não foi apenas festiva. Ao longo da semana, os dois estiveram juntos tratando da formação da nominata do partido para a Câmara dos Deputados, num movimento que já antecipa articulações para 2026. No mesmo camarote, estavam ainda a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, compondo um retrato simbólico da costura política no Nordeste.
João Azevêdo é hoje pré-candidato ao Senado e tem sido estimulado por Lula a entrar na disputa com o objetivo de ampliar a base governista na Casa a partir de 2027. O carnaval, nesse contexto, funciona como vitrine: presença popular em João Pessoa, foto institucional no Recife, trânsito livre entre lideranças e um discurso silencioso de pertencimento ao centro do poder político.
Entre uma orquestra de frevo e outra de marchinha, João Azevêdo vai afinando o passo para 2026. O governador parece confortável nesse papel de político em modo carnaval: leve na forma, mas com o calendário eleitoral já martelando no fundo do palco.