quarta-feira, 22 de julho de 2026
No dia do Oscar, dez segredos de ‘O Agente Secreto’ revelados por Kleber Mendonça Filho
15/03/2026 05:19
Redação ON Reprodução

Hoje é dia de Oscar em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o cinema brasileiro acompanha a cerimônia com atenção redobrada. Entre os filmes que chegam cercados de expectativa está O Agente Secreto, thriller político ambientado na ditadura militar que conquistou festivais internacionais e acumulou indicações importantes.

Em entrevista publicada nas tradicionais Páginas Amarelas da revista Veja, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho falou longamente sobre o filme, o processo de criação e o momento do cinema brasileiro. A partir dessa conversa, o portal Norte Online pinçou dez curiosidades e revelações importantes sobre O Agente Secreto.


1. O filme levou dois anos apenas para ser escrito
Kleber Mendonça Filho revelou que o roteiro de O Agente Secreto exigiu um longo processo de pesquisa histórica. Foram dois anos de trabalho, incluindo investigação em arquivos públicos e na Cinemateca Brasileira para reconstruir com precisão o clima político da época.


2. O clima do governo Bolsonaro influenciou a escrita
Segundo o diretor, embora a história se passe em 1977, o ambiente político recente acabou influenciando a construção do roteiro. Ele afirmou que o clima instaurado no país durante os anos do governo Bolsonaro lhe deu elementos importantes para escrever o filme.


3. O filme já ganhou mais de 70 prêmios
Desde a estreia no Festival de Cannes, em maio de 2025, O Agente Secreto acumulou mais de setenta prêmios internacionais e consolidou uma carreira forte nos festivais de cinema ao redor do mundo.


4. A campanha do filme virou uma maratona mundial
A divulgação do longa transformou a rotina do diretor numa ponte aérea constante entre cidades como Londres, Paris e Los Angeles, com breves passagens por Recife, sua cidade natal.


5. O filme conquistou milhões de espectadores no cinema
Antes de chegar ao streaming, O Agente Secreto teve uma longa carreira nas salas de cinema, somando cerca de 25,5 milhões de espectadores.


6. O streaming veio apenas depois da trajetória nas salas
Para o diretor, a ordem é fundamental: o cinema deve ser a primeira janela de exibição. Só depois dessa trajetória nas salas o filme chegou ao catálogo da Netflix.


7. Kleber Mendonça rejeita o uso de inteligência artificial na criação
Na entrevista, o cineasta faz uma crítica direta ao uso de IA para escrever roteiros. Para ele, delegar a criação de um filme a uma máquina seria como usar um algoritmo para escrever uma carta de amor.


8. O diretor lê críticas sobre seus filmes
Ex-crítico de cinema, Kleber Mendonça diz que acompanha o que escrevem sobre suas obras. Segundo ele, algumas críticas negativas surgem da polarização política que atravessa a sociedade brasileira.


9. O filme não é uma resposta a Ainda Estou Aqui
O diretor rejeita a ideia de que O Agente Secreto tenha sido feito como resposta ao filme Ainda Estou Aqui. Ele afirma que terminou seu filme antes mesmo de assistir ao outro longa e que não faria um filme para responder a outro.


10. Bacurau é a verdadeira resposta política de sua filmografia
Se existe um filme que responde diretamente a algo, diz o diretor, esse é Bacurau. O longa, feito em parceria com Juliano Dornelles, foi pensado como uma reação crítica a certas visões dominantes do cinema de Hollywood.

Ao comentar a repercussão internacional de O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho também destacou que o cinema brasileiro vive um momento saudável, com maior diversidade regional e novas vozes surgindo fora do eixo tradicional Rio-São Paulo.

Se o Oscar confirmará esse reconhecimento global, só a cerimônia desta noite dirá. Mas uma coisa já parece clara: O Agente Secreto colocou novamente o cinema brasileiro no centro do debate internacional.

Saiba mais sobre a festa do Oscar no boletim O Norte do Dia

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