O que até agora era tratado como uma decisão reservada ao senador Efraim Filho (PL), ao prefeito Bruno Cunha Lima e à primeira-dama Juliana Cunha Lima ganhou um novo ingrediente político. Ao afirmar publicamente que Juliana só deve ser escolhida se “ajudar” a chapa, o radialista Nilvan Ferreira levou para o centro do debate uma dúvida que muitos aliados evitavam verbalizar: afinal, uma indicação de Bruno fortalece ou cria dificuldades para a candidatura oposicionista ao Governo da Paraíba?
Desde o início do ano, Efraim nunca escondeu que Juliana era sua primeira opção para a vice. O senador chegou a classificá-la como sua “vice dos sonhos” e reiterou diversas vezes que aguardava apenas uma resposta da primeira-dama e de sua família.
A resposta, porém, nunca veio. Entre a gravidez, as prioridades familiares e a natural resistência de quem nunca exerceu mandato eletivo, o processo se arrastou por meses. A própria Juliana reconheceu publicamente que ainda avaliava o cenário político e familiar antes de tomar uma decisão.
Enquanto isso, começaram a surgir os primeiros sinais de um “plano B”. Nos bastidores de Campina Grande, passou a circular a possibilidade de Bruno Cunha Lima indicar outro nome de sua confiança para representar seu grupo na chapa, entre eles o supersecretário Waldeny Santana, hipótese que evidencia que nem o próprio entorno do prefeito trabalha mais com a certeza de que Juliana será candidata.
Foi nesse contexto que Nilvan Ferreira resolveu entrar em campo. Em entrevista ao programa “Ô Paraíba Boa”, o ex-candidato ao Governo e reintegrado recentemente ao PL afirmou que a única pergunta que precisa ser feita é se Juliana ajudará eleitoralmente a chapa. Questionado se acreditava nisso, respondeu que não sabia, mas observou que Bruno Cunha Lima atravessa um momento de baixa avaliação administrativa em Campina Grande.
Nilvan não disse explicitamente que uma indicação do prefeito prejudicaria Efraim. Também fez questão de ressaltar que a decisão pertence exclusivamente ao senador. Mas o recado político ficou evidente: ao associar a escolha ao desgaste da gestão municipal, colocou sob suspeita justamente o principal ativo que Bruno pretende oferecer na composição da chapa.
A fala ganha peso não porque Nilvan participe diretamente das negociações da vice, mas porque parte de um dos principais nomes do bolsonarismo paraibano. Na prática, ele vocalizou uma preocupação que, até então, permanecia restrita aos bastidores.
O episódio também muda o eixo da discussão. A dúvida já não é apenas se Juliana aceitará ou não disputar a eleição. A partir de agora, passa a existir outra pergunta, talvez mais delicada: qualquer nome indicado por Bruno Cunha Lima realmente agregaria votos à chapa de Efraim ou carregaria junto o desgaste da administração campinense?
É uma discussão incômoda para um grupo político que, até poucos meses atrás, tratava a escolha da vice como uma formalidade. Hoje, ela se tornou um dos principais focos de tensão da pré-campanha oposicionista.