segunda-feira, 18 de maio de 2026
Neymar divide o Brasil – mas cada região divide de um jeito diferente
18/05/2026 09:07
Redação ON Reprodução

Estudo da agência SUBA aplica metodologia proprietária de análise de TikTok para mapear, região a região, como o torcedor brasileiro reage ao debate sobre a convocação do camisa 10 — e revela que a divisão vai muito além do futebol

Hoje, 18 de maio, às 17hs, será feito o anúncio da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, e uma pergunta domina o debate esportivo nacional: Neymar vai ou não vai? Para marcas, agências e estrategistas de comunicação, porém, a pergunta relevante é outra: de que forma cada região do Brasil está vivendo esse debate? Um novo módulo do estudo ‘Brasil: O País do Torcedor’, desenvolvido pela agência SUBA, aplicou a mesma metodologia proprietária de análise comportamental em 140 vídeos de TikTok — combinando semiótica, NLP e etnografia digital — para decodificar como Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste reagem ao tema Neymar. O resultado confirma: a divisão não é homogênea. É regional, cultural e politicamente carregada.

Índices que resumem o impasse

Pesquisa Genial/Quaest realizada entre 10 e 13 de abril de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o Brasil, mostra um país dividido ao meio: 47% dos torcedores defendem a convocação de Neymar, 45% são contrários e 8% não souberam ou preferiram não responder. Margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95%. 

Mas o que a pesquisa quantitativa não captura, a análise da SUBA revela: por baixo desses índices nacionais unificados, existem cinco Brasis com posturas, linguagens e intensidades emocionais radicalmente distintas sobre o mesmo jogador.

NORDESTE · O defensor mais criterioso

A região que o mercado trata como a mais apaixonada é, na prática, a mais racional quando defende Neymar. A mesma frequência de análise tática 3,5x acima da média nacional identificada no estudo principal aparece no debate sobre a convocação: torcedores nordestinos argumentam com histórico de desempenho, número de assistências e aproveitamento em fases finais. O apoio ao camisa 10 existe, mas vem embalado em dado, não em romantismo.

SUL · O ceticismo como posição de princípio

A região com o maior índice de menção ao adversário por vídeo também é a que mais questiona a presença de Neymar na Seleção. Para o torcedor sulista, futebol é compromisso e regularidade, e o histórico recente de lesões pesa na balança. Nos vídeos analisados, o tom predominante é o da desconfiança fundamentada: menos emoção, mais exigência de prova.

NORTE · Identidade e pertencimento em jogo

A região com menor sentimento positivo e maior polarização na amostra geral da pesquisa vive o debate Neymar de forma especialmente carregada. O jogador se torna símbolo: estar ou não na Seleção é também uma discussão sobre quem o Brasil representa quando o mundo está assistindo. A polarização não é sobre desempenho, é sobre identidade.

SUDESTE · A ironia como veredicto

Com 71% dos conteúdos em tom irônico, contra 11% nas demais regiões, o Sudeste trata a questão Neymar com distanciamento consciente. Memes, referências pop e humor sofisticado são a forma de demonstrar domínio do assunto sem se expor emocionalmente. O debate existe, mas embalado em uma ironia que, no fundo, esconde uma posição bem definida.

CENTRO-OESTE · O termômetro do Brasil médio

A região que mais representa o “Brasil médio” na pesquisa principal repete o padrão no debate sobre a convocação: linguagem mais comedida, menor polarização e maior presença física de torcedores que foram a estádios, o que cria um olhar mais pragmático sobre o jogador. Aqui, a pergunta é mais simples: ele ajuda ou atrapalha?

Quando o futebol cruza a política

O debate sobre Neymar extrapolou o campo esportivo. Levantamento do Centro de Estudos Aplicados de Marketing da ESPM-SP com 400 torcedores evidencia a dimensão político-cultural do tema: entre eleitores de direita, 66% apoiam a convocação e apenas 24% são contrários. Entre os de esquerda, 40% rechaçam a presença do jogador, enquanto 37% a defendem. No universo de centro-esquerda, empate perfeito: 45,5% a 45,5%.

Para a SUBA, esse dado não é surpresa, é a confirmação de algo que a análise comportamental de conteúdo no TikTok já havia sinalizado: Neymar é, simultaneamente, o jogador mais desejado e o mais rejeitado da convocação. O único sobre quem o torcedor nunca é neutro.

“Cada vídeo foi dissecado em múltiplas camadas: áudio, OCR, análise de cena, sentimento e intensidade emocional. O que emerge sobre o Neymar não é simplesmente um índice de aprovação ou rejeição, é um mapa de como diferentes Brasis usam o mesmo nome para falar de coisas completamente diferentes. Marcas que não entenderem isso vão entrar numa conversa que pode não ser pertinente”, declara Maílson Dutra, VP de Data & Performance da SUBA.

O que isso significa para marcas e estrategistas

A Copa cria uma janela de unidade nacional, mas o caso Neymar demonstra que ela é mais estreita do que parece. Ativar o tema de forma genérica, sem leitura regional, é o caminho mais rápido para uma campanha que mobiliza uns e aliena outros. Os dados da SUBA apontam três implicações diretas:

  • No Nordeste: comunicação que une sentimento e dado performa melhor. A emoção sozinha não convence.
  • No Sul: associar a marca a figuras controversas exige cautela. O ceticismo sobre Neymar é também ceticismo sobre quem o defende.
  • No Sudeste: a ironia é o idioma nativo. Campanhas que a ignoram ou que a forçam o uso da linguagem podem soar igualmente falsas.
  • No Norte: o tema identidade regional ressoa mais do que o tema futebol. Quem entender isso tem uma vantagem competitiva real.

Sobre o estudo

“Brasil: O País do Torcedor” é uma pesquisa nacional realizada pela SUBA com base na análise de 5.745 vídeos no TikTok, segmentados pelas cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste), publicados entre janeiro e abril de 2026. A metodologia proprietária combina análise semiótica, NLP (Processamento de Linguagem Natural) e etnografia digital, desenvolvida exclusivamente pela agência SUBA para análise comportamental no TikTok. O módulo sobre Neymar e a convocação integra os achados qualitativos da pesquisa com dados de levantamentos quantitativos públicos (Genial/Quaest e ESPM-SP).

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