João Pessoa, quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Na Paraíba, produção de camarão cresce 2,3 vezes em 2025 e alcança 20,1 mil toneladas
30/09/2026 11:14
Ascom/IBGE Arquivo

A Paraíba registrou, em 2025, um salto histórico na produção de camarão cultivado: foram 20,1 mil toneladas, ante 8,9 mil toneladas em 2024, o que representa um crescimento de 126,8% em apenas um ano. Com esse resultado, o estado manteve a terceira posição no ranking nacional, atrás apenas do Rio Grande do Norte (38 mil toneladas) e do Ceará (91,9 mil toneladas). A produção paraibana superou com ampla margem a de estados como Bahia (6,2 mil toneladas), Pernambuco (4,8 mil toneladas), Piauí (4,7 mil toneladas) e Sergipe (4 mil toneladas). Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (30).

Essa pesquisa fornece informações sobre os principais efetivos da pecuária existentes nos municípios brasileiros, na data de referência do levantamento, 31 de dezembro, bem como sobre a produção de origem animal e o seu respectivo valor no ano em questão. Os dados são obtidos pela Rede de Coleta do IBGE, mediante consulta a entidades públicas e privadas, produtores, técnicos e órgãos ligados direta ou indiretamente à produção, comercialização, industrialização, fiscalização, fomento e assistência técnica à agropecuária.

Em 2013, primeiro ano da série histórica da produção de camarão na PPM, a Paraíba produziu apenas 864 toneladas. Em 2019, esse volume já ultrapassava 4,3 mil toneladas e, em 2024, chegou a 8,9 mil toneladas. O resultado de 2025, com 20,1 mil toneladas, representa uma produção mais de 23 vezes superior à observada no início da série histórica. O valor da produção acompanhou esse avanço, passando de R$ 183,4 milhões em 2024, para R$ 444,9 milhões em 2025, um aumento nominal de 142,6%.

A PPM constatou também que os cinco principais municípios produtores da Paraíba, em 2025, foram Santa Rita, com 2,47 mil toneladas, São Miguel de Taipu (2,25 mil toneladas), Mogeiro (2,23 mil toneladas), Marcação (2,17 mil toneladas) e Salgado de São Félix (1,54 mil toneladas). Também se destacaram João Pessoa (1,5 mil toneladas), Itatuba (1,35 mil toneladas) e Itabaiana (1,06 mil toneladas). Juntos, esses municípios concentraram grande parte da produção estadual e evidenciam a forte presença da carcinicultura tanto no litoral quanto em áreas do interior paraibano.

No caso dos peixes, a produção paraibana em 2025 foi de 4,2 mil toneladas, volume próximo ao registrado em 2024 (4,3 mil toneladas). A tilápia segue como espécie dominante, respondendo por praticamente a totalidade da produção de peixes, com 4,2 mil toneladas, frente a 951,7 toneladas em 2013.

Rebanho bovino atinge maior patamar da série histórica

O levantamento mostrou que rebanho bovino, na Paraíba, teve um crescimento de 42,7% entre 2006 e 2025, com seu efetivo passando de 1,09 milhão para 1,56 milhão de cabeças, respectivamente, apesar de uma queda brusca no ano de 2012 (967 mil cabeças). Nos anos seguintes, esse rebanho apresentou crescimento contínuo, atingindo o maior patamar da série histórica. O grupamento bovino se mantém como o mais expressivo da pecuária estadual.

Os caprinos e ovinos seguiram trajetórias semelhantes, com evolução contínua. Em 2006, havia pouco mais de 653 mil caprinos e 414 mil ovinos, enquanto em 2025 os dois rebanhos atingiram 858 mil e 872 mil cabeças, respectivamente. O rebanho suíno apresentou crescimento expressivo em 20 anos, mais que dobrando de tamanho, passando de cerca de 148 mil cabeças, em 2006, para mais de 343 mil, em 2025.

Em relação ao efetivo de rebanho caprino nos municípios da Paraíba, Monteiro ocupa posição de liderança (40,9 mil cabeças), seguido de Barra de São Miguel (39 mil), Sumé (32,3 mil), Serra Branca (30,7 mil) e São João do Tigre (29,8 mil). Os municípios listados pertencem, em sua maioria, à microrregião do Cariri paraibano, área de clima semiárido onde o caprino encontra condições favoráveis de adaptação.

Rebanho de galináceos tem crescimento expressivo

O efetivo de galináceos se manteve relativamente estável entre 2006 e 2008, em torno de 8,3 milhões de cabeças, mas a partir de 2009 apresentou forte crescimento, quando ultrapassou os 10 milhões. Os anos seguintes foram marcados por oscilações, com retomada consistente de crescimento, alcançando 15,8 milhões de galináceos em 2025, o maior patamar da série, representando crescimento superior a 88,9% em relação a 2006, e de 8,5% em relação a 2024 (14,5 milhões). Entre os municípios paraibanos, Pedras de Fogo é o maior destaque (1,36 milhão), seguido por Guarabira (1,35 milhão), Pocinhos (1,32 milhão), Mamanguape (920,2 mil) e Princesa Isabel (774 mil).Já no caso específico das galinhas (poedeiras), a trajetória também foi de expansão. A partir de 2016, observou-se crescimento mais expressivo, ultrapassando 3 milhões em 2021 e chegando a 4,5 milhões em 2025, volume que mais que dobrou em relação ao início da série histórica disponível. Entre os municípios paraibanos, Pedras de Fogo se tornou o primeiro colocado (970,6 mil), seguido por Princesa Isabel (577,6 mil), Mamanguape (387,7 mil), Esperança (355,3 mil) e Cuité (198,7 mil). Já o total de galináceos cresceu 63,4%, enquanto as codornas apresentaram queda de 38,1% no período, diminuindo de 334,3 mil codornas, em 2016, para cerca de 207,1 mil, em 2025.

Produção de ovos de galinha cresce 185% em 20 anos

A produção de ovos de galinha na Paraíba teve um crescimento expressivo e contínuo. Em 2006, eram produzidas 26,6 mil dúzias, enquanto em 2025 esse número atinge 75,9 mil dúzias. Isso representa quase o triplo da produção em 20 anos, com uma curva de crescimento ainda mais acentuada a partir de 2019.

Já a produção de ovos de codorna apresentou uma trajetória diferente: partiu de 688 dúzias em 2006, alcançando um pico de 4,5 mil dúzias em 2016, com retração nos anos seguintes, encerrando 2025 com produção de 2,8 mil dúzias, praticamente metade do máximo já registrado.

A produção de leite cresceu 131,7% entre 2006 (154,7 milhões de litros) e 2025 (358,4 milhões), mesmo enfrentando uma forte queda em 2012, quando caiu para 142,5 milhões. A recuperação subsequente foi vigorosa, e o setor leiteiro mais que dobrou de tamanho em duas décadas. Já a produção de mel mostrou tendência de alta ao longo do período: partindo de 264 mil quilos em 2006, passou para 433,7 mil quilos em 2025, 1,6 vez o valor inicial.

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