A velha sede do governo da Paraíba abriu mão da rotina burocrática e se reinventou como espaço de cultura. Onde antes funcionavam gabinetes e corredores de decisões políticas, agora se espalham salas de exposições, auditórios e áreas educativas. O antigo Palácio da Redenção, no coração de João Pessoa, foi transformado em Museu de História da Paraíba e devolvido ao povo em uma versão renovada e vibrante.
A mudança é radical: depois de séculos como residência jesuíta, morada de governadores e centro administrativo, o prédio foi revitalizado com obras estruturais — instalações elétricas e hidráulicas modernizadas, sistemas de climatização, recursos de acessibilidade. Mas mais importante que a obra física é o novo destino: abrir-se como espaço público, um lugar de encontro entre passado e presente.
Para o governador João Azevêdo, a inauguração simboliza uma decisão política que ultrapassa a restauração arquitetônica. “Quando decidimos transformar em museu, foi para que estudantes e cidadãos pudessem conhecer de perto a nossa história. É um patrimônio que precisa estar vivo e acessível”, afirmou.
Um passeio pela história
O visitante que atravessa os portões do museu mergulha em diferentes camadas da memória paraibana. Uma das primeiras paradas é a Sala Paraibanidades, onde mapas dos séculos XVI e XVII mostram a antiga Frederica, nome dado à cidade de João Pessoa durante a ocupação holandesa.
O prédio preserva o que foi essencial: os antigos gabinetes e salões oficiais, restaurados com mobiliário original. Entre eles, o gabinete privativo dos governadores, os salões de banquetes e o Salão Nobre, que já testemunharam decisões decisivas para o estado.
Outro destaque é o painel de azulejos portugueses de 1912, instalado em um dos pátios, retratando as grandes navegações. A história política também ganha espaço com a sala dedicada à Revolução de 1930 e à figura de João Pessoa, cujo assassinato marcou a política nacional e abriu caminho para a era Vargas.
E há lugar para a cultura: os quartos do palácio que viram nascer Ariano Suassuna agora guardam parte de sua trajetória. O acervo também exibe pela primeira vez fora de Campina Grande obras do Museu Assis Chateaubriand, incluindo trabalhos de Candido Portinari e Pedro Américo.
Cultura aberta ao povo
A programação foi pensada para garantir acesso democrático. O museu funcionará de terça a domingo, com entrada gratuita e quatro horários de visitação ao longo do dia. Grupos escolares e turísticos poderão agendar visitas especiais.
O secretário de Cultura, Pedro Santos, resume a transformação: “O que era sede administrativa virou um espaço de memória coletiva. Não é só para a população local, é também uma porta aberta para os visitantes que chegam a João Pessoa e querem conhecer a alma da Paraíba”.
Com essa nova fase, o Palácio da Redenção deixa de ser apenas um marco arquitetônico e passa a ser um museu vivo, onde cada sala guarda um pedaço da história que ajudou a moldar o estado e o país.