No próximo sábado (11), o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, recebe o espetáculo “A Mulher Distante”, com duas sessões previstas para as 19h e 20h. Inspirado na obra “Água Viva”, de Clarice Lispector, o monólogo é assinado pelo ator e diretor Diogo Targino, a partir do texto de Dias Miranda.
Segundo Diogo, a sensibilidade feminina é o que norteia o espetáculo. “Ela é o ponto de partida para uma reflexão que aos poucos se torna maior, ganhando contornos de nostalgia, por amigos que se foram, a vida e a morte”, disse. Ele acrescentou que há 16 anos faz remontagens de algumas cenas de “A Mulher Distante” e que em 2026 também destacará o tema do feminicídio. “Esse texto veio parar em minhas mãos praticamente no início da minha trajetória no teatro, meio que por acaso. Terminei o curso de formação de atores em 2006. E aí, na verdade, às vezes nem eu sabia bem o que estava fazendo, mas tinha consciência de que era teatro. As homenagens serão dedicadas às mulheres assassinadas entre 2025 e 2026. Porque, infelizmente, se a gente for incluir todas, não vai caber no mural. O objetivo é que os crimes não sejam silenciados e esquecidos”, pontuou.
Falando a respeito de seus espetáculos, Diogo explicou que um de seus favoritos é “As Luas em Mim”. “É sobre um homem trans, internado, em um quarto psiquiátrico. A loucura é o elemento principal. Surgem os devaneios, reflexos do passado dele e do presente. A mensagem transmitida é forte, relatando a vida de pessoas trans. E foi dirigido por Letícia Rodrigues, premiada nacionalmente. É o personagem de que mais gosto, porque é uma visão que não foi minha. Ela criou cena por cena. Eu me sinto muito lisonjeado por ter tido a oportunidade de ela vir em Campina e me dirigir”, contou.
A trajetória artística de Diogo Targino começou no cenário teatral da Rainha da Borborema, onde iniciou e consolidou suas pesquisas cênicas. Com quase duas décadas de atuação, ele vem se destacando pelo trabalho autoral e movimentando o contexto artístico local, sobretudo com montagens em formato de monólogos. “É difícil, em especial no sentido de levar o público ao teatro, é um desafio, aliás, enfrentado globalmente, mas o desejo de realizar é maior”, afirmou.
Diogo desenvolve seus projetos de maneira independente e para isso assume diferentes funções, tanto no que trata do processo criativo como em relação à produção e divulgação. Ele tem levado seus trabalhos a variados espaços e festivais, representando Campina e a Paraíba em circuitos culturais. Em 2024, por exemplo, foi premiado no 11° Festival Nacional de Teatro do Piauí, na cidade de Floriano. Mais informações podem ser obtidas pela rede social @atordiogodanieltargino e através do e-mail atordiogotargino@gmail.com.
