Uma multidão de fiéis tomou as ruas na manhã deste domingo, 22 de março, para participar da 25ª Caminhada Penitencial da Diocese de Campina Grande, um dos momentos mais expressivos da vivência quaresmal na Igreja particular.
Vindos de diversas cidades da Paraíba e de outros estados, os peregrinos começaram a se concentrar ainda nas primeiras horas do dia na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição. Ali, participaram da celebração Eucarística que marcou o início da jornada, presidida pelo Vigário Geral e Pároco da Catedral, Padre Luciano Guedes.
Pontualmente às 6h, o Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, uniu-se aos milhares de fiéis e deu início ao percurso penitencial. Ao longo de aproximadamente oito quilômetros, passando pela Avenida Floriano Peixoto, Avenida Manoel Tavares e pela BR-104, os peregrinos seguiram em oração, cânticos e reflexões, em um verdadeiro testemunho público de fé.
Após cerca de duas horas e meia de caminhada, os fiéis chegaram ao Convento de Santo Antônio, Ipuarana, em Lagoa Seca, onde foi celebrada a Santa Missa de encerramento, presidida pelo Bispo Diocesano. Em sua acolhida, Dom Dulcênio expressou alegria pela grande participação do povo de Deus e destacou a importância da caminhada, que há 25 anos se consolida como uma forte tradição de fé e penitência na diocese.
O bispo também agradeceu a todos os envolvidos na organização: pastorais, movimentos, serviços e voluntários, que, com dedicação, tornaram possível a realização de mais uma edição do evento.
Inserida no contexto do quinto domingo da Quaresma, a caminhada se apresenta como um forte convite à conversão e à preparação espiritual para a Semana Santa, tempo em que a Igreja se volta de maneira mais intensa para os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Mais do que um percurso físico, a caminhada penitencial se reafirma como um itinerário interior, conduzindo os fiéis a uma experiência profunda de fé, esperança e renovação espiritual em preparação para a Páscoa.

Homilia
Na homilia proferida no convento, o bispo destacou Cristo como a Ressurreição e a Vida, a partir do Evangelho de Lázaro. O bispo ressaltou que o sinal realizado por Jesus vai além de um milagre: revela o poder de Deus sobre a morte e responde, à luz da fé, às inquietações humanas diante do sofrimento.
“Indubitavelmente Lázaro morreu, já havia quatro dias, já putrefava, e o poder de Deus chamou-o à vida novamente. Um poder divino que foi questionado pelos judeus em Betânia: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” (Jo 11,37); um poder divino que é questionado por muitos, nos dias atuais, por aqueles que dizem: “Se Deus existe, qual o porquê da morte e do sofrimento?”, disse.
Refletindo a Liturgia, afirmou que o chamado “vem para fora” é dirigido a todos, convidando à saída das realidades de morte, como o pecado e a desesperança. A experiência de Lázaro aponta, assim, para a vida eterna, centro da esperança cristã.
“Não foi simplesmente para um reviver de Lázaro que Jesus lhe ordenou: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11,43); foi para dizer-nos que a vida neste mundo não terá serventia se perdermos a outra, a verdadeira; aquela que o próprio Deus nos garantiu pelo Seu Sacrifício redentor… E, como cristãos, devemos nutrir esta esperança no coração; esta é a nossa obrigação, tal como cantávamos no Salmo Responsorial: “No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora” (Sl 129,5-9)”, destacou.
Dom Dulcênio enfatizou ainda que a fé permite contemplar a glória de Deus, mesmo diante da morte, sustentando a certeza de que quem crê em Cristo participa da vida que não passa.
“Pelo mistério da redenção proporcionado pela Páscoa do Senhor, entendemos que na morte do cristão transparece a glória de Deus (cf. Jo 11,4); antes, porém, leva-nos à fé; a uma virtude superior à certeza que tinha Jó… porque entendemos aquilo que o Senhor disse: “[…] se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11,40), ao que reconhecemos o Senhor como Ele Se identificou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11,25-26); ao que nos interroga, instantemente: “Crês isto?” (Jo 11,26)”.
Por fim, exortou os fiéis a não temerem a morte do corpo, mas a vigilância espiritual. Inspirado em Papa Bento XVI, recordou que Cristo venceu a morte definitiva, abrindo-nos à vida nova que se plenifica na Páscoa.
“Como bem frisou o luminoso Papa Bento XVI, em exortação: “[…] há outra morte, que custou a Cristo a luta mais dura, inclusive o preço da cruz: é a morte espiritual, o pecado, que ameaça arruinar a existência de cada homem. Para vencer esta morte Cristo morreu, e a sua Ressurreição não é o regresso à vida precedente, mas a abertura de uma realidade nova, uma ‘nova terra’, finalmente reunida com o Céu de Deus” (Ângelus 10.04.2011)”, concluiu.