terça-feira, 17 de março de 2026
Mulheres são apenas 27,1% dos empregadores na Paraíba, quinta pior proporção do país
17/03/2026 10:25
Assessoria Foto: Assessoria

As mulheres representam 27,1% dos empregadores na Paraíba, segundo dados do IBGE de novembro de 2025. Em números absolutos, cerca de 19 mil mulheres estão à frente de negócios que geram empregos no estado. A proporção coloca a Paraíba como a quinta pior do país e a segunda pior do Nordeste neste indicador. O percentual revela uma diferença significativa entre homens e mulheres no comando de empresas: para cada mulher empregadora, existem aproximadamente 2,7 homens na mesma condição.

A presença feminina entre empregadores costuma ampliar a inserção de outras mulheres no mercado de trabalho. Levantamento do Sebrae indica que cerca de 73% dos negócios liderados por mulheres possuem força de trabalho majoritariamente feminina. “Na prática, isso significa que o empreendedorismo feminino tende a gerar oportunidades para outras mulheres, criando redes de trabalho e renda dentro das próprias comunidades e ampliando possibilidades de mobilidade social”, afirma Joana Macêdo, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste.

Esse movimento aparece em diferentes setores da economia e em cidades fora dos grandes centros. No município de Sousa, no Sertão da Paraíba, a odontóloga Sonally Benício, de 34 anos, dirige a clínica SB Odontologia, criada há cinco anos. O negócio começou após um período em que a profissional atuou prestando serviços em franquias odontológicas.

“Depois, abri minha própria franquia. Em seguida, criei minha clínica, que hoje reúne diferentes especialidades”, conta. Ao longo do tempo, a estrutura foi ampliada e o negócio passou a reunir uma equipe multidisciplinar. Hoje, a SB Odontologia conta com oito funcionários, a maioria mulheres. A contratação de uma equipe maior veio à medida que a demanda por atendimentos cresceu e novos serviços foram incorporados à clínica.

“Decidi contratar mais mulheres para ampliar os serviços prestados e aumentar o faturamento. Isso também permitiu oferecer um atendimento mais completo, com equipe de especialistas, o que acabou impactando diretamente a comunidade”, explica. Segundo ela, o crescimento do negócio liderado por uma mulher enfrenta maior dificuldade de acesso ao crédito e, quando o conseguem, arcam com taxas de juros superiores.

“Os principais desafios são buscar sempre inovações para acompanhar a evolução dos tratamentos e reinvestir em produtos e equipamentos tecnológicos. Entre as conquistas, estão a aquisição de máquinas com tecnologias avançadas e o consultório em prédio próprio”, afirma. Para empreendedoras que buscam ampliar suas atividades e contratar novos funcionários, o acesso ao crédito é apontado como um dos fatores decisivos.

No caso de Sonally, a relação com a cooperativa Sicredi Alto Sertão Paraibano começou há pouco mais de quatro anos e envolve diferentes soluções financeiras utilizadas na rotina do negócio. Entre elas estão maquininhas de cartão, seguros, consórcios, cartões e linhas de crédito utilizadas para financiar investimentos na clínica.

Crédito e capacitação para empreendedoras

Na Paraíba, a carteira de crédito destinada a mulheres empreendedoras dentro do Sicredi apresentou crescimento acelerado nos últimos meses. Em apenas nove meses, o volume multiplicou por 170 vezes e alcançou, em janeiro, o montante de R$ 4,6 milhões no estado.

Em âmbito nacional, o movimento também aparece nos números da instituição financeira cooperativa. Em 2025, o Sicredi encerrou o ano com uma carteira de crédito superior a R$ 17,5 bilhões direcionada a empresas lideradas por mulheres. O valor representa um crescimento de mais de 12% em relação a 2024.

Além das linhas de financiamento, a instituição também mantém iniciativas voltadas à formação e à liderança feminina. Entre elas está o Curso Mulher Empreendedora, criado em 2023 para apoiar o desenvolvimento de pequenos negócios. Outra iniciativa é o Comitê Mulher, que reúne participantes em atividades voltadas à liderança e à participação feminina em espaços de decisão dentro das cooperativas.

Para a assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste, o empreendedorismo feminino possui um efeito multiplicador dentro das economias locais, especialmente quando as empresas passam a gerar empregos. “Quando uma mulher empreende e começa a contratar, ela não está apenas ampliando um negócio. Em muitos casos, está criando oportunidades para outras mulheres que, por diferentes razões, encontram mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho”.

Diante dos dados que mostram a participação feminina ainda menor entre empregadores na Paraíba, Joana avalia que o cenário revela um desafio que exige continuidade nas iniciativas de apoio ao empreendedorismo feminino. “Os números mostram que ainda existe um caminho importante a percorrer para ampliar a presença das mulheres como empregadoras. Ao mesmo tempo, indicam o potencial de transformação que existe quando elas recebem apoio concreto para desenvolver seus projetos e expandir seus negócios”, afirma.

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