terça-feira, 4 de agosto de 2026
MPF diz que derrubada de coqueiros em Camboinha é ação de recuperação ecológica
16/10/2025 05:13
Redação ON Reprodução

A derrubada de dezenas de coqueiros na praia de Camboinha, em Cabedelo, provocou uma onda de protestos nas redes sociais e gerou indignação entre moradores e frequentadores do litoral norte da Grande João Pessoa. No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) esclareceu que a intervenção não se trata de destruição ambiental, mas de uma ação de recuperação ecológica prevista em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Construtora Alliance, a Prefeitura de Cabedelo e a Sudema.

De acordo com o MPF, os coqueiros e outras árvores retiradas da orla são espécies exóticas, plantadas ao longo dos anos de forma ornamental ou para servir de cerca viva, o que impediu o crescimento natural da vegetação de restinga — essencial para a proteção da faixa litorânea contra a erosão e a salinização. A remoção faz parte de um projeto de revegetação com espécies nativas, visando devolver à área sua função ambiental e pública.

O procurador da República João Raphael Lima explicou que o projeto “não representa destruição ambiental, mas sim uma ação de recuperação ecológica”. A medida está vinculada a um TAC assinado após a construtora Alliance ser responsabilizada por danos ambientais em Área de Preservação Permanente (APP) no maceió de Ponta de Campina, durante a execução de um empreendimento imobiliário.

Como compensação, foi determinado o investimento de R$ 1,2 milhão em obras de reordenamento ambiental da orla de Camboinha. O projeto inclui a instalação de calçadão, ciclovia e passarelas suspensas, todas de baixo impacto, além do plantio de mudas nativas sob acompanhamento técnico de órgãos ambientais.

Segundo o MPF, a intervenção está sendo monitorada pela Sudema e pela Prefeitura de Cabedelo, e segue o mesmo modelo já aplicado anteriormente em Ponta de Campina, onde a vegetação foi totalmente recomposta após processo semelhante.

Repercussão nas redes e críticas à falta de transparência

Apesar da justificativa oficial, as imagens dos coqueiros derrubados viralizaram e geraram forte reação nas redes sociais, com críticas à falta de diálogo entre os órgãos públicos e a comunidade local. Muitos internautas lamentaram a retirada das árvores, que há décadas faziam parte da paisagem e da memória afetiva de Camboinha.

Nos comentários, expressões como “crime ambiental” e “tristeza ver o litoral sendo destruído” se multiplicaram, enquanto outros cobraram explicações mais claras da Prefeitura e da Sudema. “Independentemente de ser exótico ou nativo, não é possível fazer um projeto de recuperação destruindo o que já estava verde”, escreveu um morador em uma das publicações mais compartilhadas.

Especialistas em meio ambiente ouvidos por moradores também destacam a necessidade de maior transparência na execução dos TACs ambientais, especialmente em áreas turísticas. Para eles, ainda que tecnicamente correta, a falta de informação prévia alimenta a percepção de irregularidade.

A Prefeitura de Cabedelo informou, em nota, que o projeto foi aprovado pelos órgãos ambientais e que todo o processo está sendo acompanhado tecnicamente. O objetivo, segundo o município, é “garantir a recuperação da vegetação nativa da restinga e devolver à orla seu caráter público, hoje parcialmente ocupado por propriedades particulares”.

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