João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Movimento bolsonarista tenta mostrar força nas ruas, mas frustra expectativa na Paraíba
03/08/2025 18:19
Redação ON Reprodução

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltaram às ruas neste domingo (3) em diversas capitais brasileiras, convocados pelo movimento “Reaja, Brasil”. Embora a mobilização tenha ocorrido em ao menos 15 capitais, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belém, o saldo foi de manifestações razoáveis em termos de público — longe, porém, de um impacto político imediato.

Em João Pessoa, a manifestação aconteceu na orla de Tambaú, mais precisamente no Busto de Tamandaré, ponto tradicional de atos políticos na capital. Lideranças bolsonaristas locais, como o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL), chegaram a prometer um evento histórico, mas o público presente foi tímido e não passou de algumas dezenas de pessoas.

Assim como em outras capitais, o principal alvo dos discursos foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem atribuem perseguição a Bolsonaro. O ex-presidente, que está obrigado a usar tornozeleira eletrônica e não pode sair de casa nos fins de semana e feriados, é investigado por tentativa de golpe de Estado, obstrução de Justiça e articulações internacionais que envolvem seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O julgamento está previsto para setembro.

Mesmo com a adesão limitada, os manifestantes demonstram confiança de que a mobilização popular, somada às críticas internacionais, especialmente do presidente americano Donald Trump, poderão reverter o cenário judicial adverso. Na visão bolsonarista, os ataques de Trump ao STF e à Justiça brasileira representariam uma espécie de chancela externa que teria força para mudar o curso do processo contra Bolsonaro.

Mas essa aposta política pode sair cara. As recentes tarifas de 50% impostas por Trump a produtos brasileiros, como forma de pressão sobre o governo Lula e de retaliação ao julgamento de Bolsonaro, já começaram a gerar efeitos negativos sobre a economia. Estados exportadores, como a Paraíba, que vendem calçados, alimentos e produtos têxteis aos EUA, tendem a ser diretamente afetados. O impacto pode vir em forma de desemprego, retração econômica e aumento da instabilidade.

A polarização, no entanto, segue viva. Parte expressiva da base bolsonarista continua acreditando na narrativa de perseguição e aposta que, com pressão nas ruas e o apoio de Trump, Bolsonaro pode voltar ao poder. Resta saber por quanto tempo essa crença se sustentará diante dos efeitos práticos da crise comercial e do cerco jurídico que se fecha sobre o ex-presidente.

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