Enquanto o Aeroporto Castro Pinto, em João Pessoa, se prepara para receber parte dos mais de 51 milhões de brasileiros que devem circular pelo país neste mês de férias, o Aeroporto João Suassuna, de Campina Grande, vive uma realidade bem diferente. A movimentação de voos no terminal da cidade Rainha da Borborema despencou, e o número diário de operações caiu para apenas três ou quatro — um contraste gritante com o crescimento registrado na Capital.
A diferença entre os dois terminais é um retrato fiel do momento que vive o setor aéreo no estado. De um lado, o litoral em alta, impulsionado pelo turismo e pelo planejamento financeiro dos brasileiros. De outro, a cidade de Campina Grande enfrenta uma retração grave, que já gera debates na tribuna da Câmara Municipal e preocupações no trade turístico local.
De acordo com levantamento do Instituto Locomotiva, 53% dos brasileiros pretendem tirar férias neste mês de julho, e o volume de viajantes deve alcançar 51 milhões de pessoas no território nacional. Em João Pessoa, essa expectativa se reflete diretamente no aumento do fluxo de passageiros. A necessidade de planejamento, como alerta a especialista Erli Bandeira, levou muitos turistas a se organizarem com antecedência, garantindo viagens mais seguras e movimentando a economia regional.
Mas essa alta demanda parece não se repetir no interior do estado. O agente de viagens Alessandro Sousa, em entrevista à coluna Pé na Estrada, da Rádio Caturité FM, traçou um cenário desanimador sobre a movimentação do aeroporto campinense. Entre julho de 2023 e julho de 2024, houve uma queda de mais de 100 mil passageiros: o terminal passou de 250 mil usuários para cerca de 140 a 150 mil.
“Foi uma queda muito acentuada. E isso tem relação direta com a crise enfrentada por companhias aéreas como a GOL e a Azul. A GOL entrou em recuperação judicial e priorizou voos internacionais. A Azul já apresentava sinais de crise e só depois veio a admitir publicamente. Isso impactou severamente o funcionamento dos aeroportos regionais”, explicou Alessandro.
Movimento intenso na Capital
Enquanto isso, o Castro Pinto é um dos terminais aéreos mais movimentados entre os 17 equipamentos administrados pela Aena Brasil. De acordo com dados da concessionária, em junho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, o Castro Pinto registrou um crescimento de 28,3% na movimentação de passageiros, ocupando o primeiro lugar percentualmente.
No mês de junho, passaram pelos portões para embarcar ou desembarcar, 147.318 passageiros. Foram 32.286 pessoas a mais viajando, em relação a junho de 2024. No acumulado do ano, a alta na movimentação de passageiros foi de 20,9%, com 893.181 passageiros, o que representa 54.572 pessoas a mais do que no primeiro semestre do ano passado.