O espelho d’água mais simbólico de Campina Grande amanheceu neste domingo marcado por uma cena preocupante: dezenas de peixes mortos espalhados pelo Açude Velho. O mau cheiro que já vinha sendo sentido por moradores confirmou o que se via a olho nu: algo estava errado no coração ambiental da cidade.
Equipes da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente foram mobilizadas para uma operação de retirada dos animais e de todo o material que se acumulava na superfície da água. Mais de 30 servidores atuaram ao longo do dia, com apoio de caminhões, para tentar conter os efeitos imediatos do problema e devolver um mínimo de normalidade ao local.
Técnicos apontam que a causa do desastre é um processo conhecido como eutrofização. Em termos simples, a água recebe uma carga excessiva de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, normalmente vindos de esgoto, lixo e outros resíduos urbanos. Esse excesso provoca uma explosão de algas e micro-organismos que, ao morrerem e se decompor, consomem o oxigênio da água. Sem oxigênio suficiente, os peixes acabam literalmente sufocados.
O cenário se agrava em períodos de calor intenso, pouca renovação da água e falta de chuvas, combinação que cria um ambiente perfeito para esse tipo de colapso ambiental. Além dos peixes, também foram retirados resíduos sólidos e materiais que flutuavam no açude, evidenciando um quadro de poluição visível e persistente.
O episódio reacende o alerta sobre a situação do Açude Velho, que além de cartão-postal é um ecossistema frágil, dependente de cuidados constantes. O que aconteceu neste domingo não foi um acidente isolado, mas o sintoma de um problema maior, que mistura descaso, poluição e pressão urbana sobre um dos espaços mais emblemáticos da cidade.