O governo de Donald Trump adotou, no mesmo dia, medidas opostas em relação a autoridades brasileiras, revelando um movimento que mistura pressão e tentativa de aproximação.
De um lado, Washington impôs novas sanções contra integrantes do Ministério da Saúde, cancelando o visto da esposa e da filha, de apenas 10 anos, do ministro Alexandre Padilha. Embora o próprio Padilha não tenha sido diretamente atingido — seu visto já estava vencido —, a medida atingiu em cheio sua família. O cancelamento impede a entrada das duas em território norte-americano e foi formalizado pelo Consulado dos EUA em São Paulo, que declarou não serem mais “elegíveis” para viajar ao país.
A ação ocorre no contexto da ofensiva contra ex-integrantes do programa Mais Médicos, implementado durante os governos petistas, que incluíram na lista de sanções nomes como Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-coordenador-geral da COP30.
Na outra ponta, o mesmo governo Trump avalia um gesto diametralmente oposto: reativar o visto de entrada nos EUA para o ministro Edson Fachin, eleito para presidir o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 28 de setembro. A possibilidade foi discutida em reunião entre membros do Departamento de Estado norte-americano, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e o jornalista Paulo Figueiredo.
O gesto é visto como um aceno político ao futuro comandante da Suprema Corte, em meio a um cenário em que os EUA buscam distensionar as relações institucionais com o Brasil. Internamente, em Washington, a avaliação é de que Fachin não estaria entre as figuras que tensionam o relacionamento bilateral, ao contrário do futuro vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, alvo de sanções pessoais impostas pelo governo Trump.
Para analistas, a aproximação com Fachin pode servir como parte de uma estratégia mais ampla: criar um canal de diálogo com a nova cúpula do Judiciário brasileiro, com potencial para influenciar pautas sensíveis, incluindo a tentativa de garantir um perdão judicial a Jair Bolsonaro — um objetivo declarado de aliados do ex-presidente.

