O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o colega André Mendonça fez uma escolha seletiva na retirada do sigilo do caso Master. Por isso, pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos. Mendonça levantou o sigilo do caso na quinta-feira (10) à noite, mas apenas de parte dos procedimentos.
No documento enviado a Fachin nesta sexta, Moraes afirma que, ao cumprir solicitação da presidência do STF, Mendonça — a quem classificou como “diretamente interessado no julgamento” — liberou apenas 15 procedimentos de forma parcial, excluindo 180 peças e documentos digitais.
“O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (…) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória”, escreveu Moraes.
No ofício a Fachin, Moraes anexou uma tabela comparativa detalhando a diferença entre as peças disponibilizadas e as registradas no sistema eletrônico do tribunal.
O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições em curso no tribunal sobre o caso:
a que trata das mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o próprio Alexandre de Moraes;
e a que reúne relatórios que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.
A análise da situação de Moraes está prevista para a próxima terça-feira (15). Fachin ainda está definindo qual será o rito do julgamento relacionado ao colega.

