Interlocutores do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliam que ele está inclinado a conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, levando em consideração o estado de saúde considerado delicado. Apesar disso, não há previsão para que a decisão seja tomada.
Na terça-feira (17), Moraes recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, que demonstrou preocupação com a possibilidade de agravamento do quadro clínico caso Bolsonaro permaneça na Penitenciária da Papuda.
No mesmo dia, a defesa apresentou um novo pedido de prisão domiciliar. A solicitação anterior havia sido negada no início do mês. Agora, os advogados argumentam que Bolsonaro está internado desde o dia 13 em um hospital de Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Embora tenha apresentado melhora, o quadro ainda é considerado grave e sem previsão de alta.
Além da questão de saúde, o contexto político também entra no radar. Após o vazamento de mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, aumentaram as críticas ao ministro e ao STF. Ainda assim, a avaliação atual é de que são remotas as chances de avanço de um eventual impeachment ou de uma CPI sobre o caso do Banco Master.
Nos bastidores, há a leitura de que o cenário pode mudar a partir de 2027, com a possibilidade de fortalecimento de uma bancada de direita no Congresso. Um gesto agora poderia ajudar a reduzir tensões políticas. Mesmo assim, Moraes não demonstra pressa, até porque Bolsonaro segue internado sob cuidados médicos em Brasília.