O Ministério Público da Paraíba instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a política de gerenciamento de resíduos sólidos em João Pessoa, diante da crise na coleta de lixo que já afeta a capital há cerca de três meses. A medida foi adotada pela promotora Cláudia Cabral, da área de meio ambiente e patrimônio social, e amplia a pressão sobre a gestão municipal num dos momentos mais delicados do ano.
O objetivo do procedimento é apurar falhas estruturais na limpeza urbana, descarte irregular de resíduos e possíveis problemas na execução dos serviços de coleta. Na portaria, o MPPB também cita aumento significativo da geração de lixo e deficiência na fiscalização integrada entre os órgãos públicos.
A crise já vinha provocando reclamações em diversos bairros da capital, com registros de resíduos acumulados em vias públicas, terrenos e áreas próximas à orla. O problema ganhou dimensão ainda maior porque coincidiu com o período das fortes chuvas que atingiram João Pessoa nos últimos dias.
Embora o tema central agora seja a coleta de lixo, o prefeito Léo Bezerra atravessa uma sequência de crises administrativas simultâneas. Desde o início das chuvas mais intensas, o gestor praticamente concentrou sua agenda no atendimento às vítimas, visitas às áreas atingidas e acompanhamento das ações emergenciais da Defesa Civil. Aliados do prefeito ressaltam que ele teve atuação pessoal e direta durante toda a crise climática enfrentada pela capital.
Mesmo com a redução das chuvas nos últimos dias, a gestão municipal agora tenta evitar que a crise do lixo se transforme em um desgaste ainda maior para a Prefeitura. O próprio Léo Bezerra já admitiu publicamente dificuldades relacionadas aos contratos responsáveis pela coleta e afirmou que herdou parte do problema após assumir a administração municipal.
