A crise na família Bolsonaro ganhou novo fôlego após Michelle Bolsonaro reafirmar publicamente que não aceita apoiar Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, detonando uma reação em cadeia que expôs divergências internas, ataques de aliados e até relatos de tensão dentro da cela onde Jair Bolsonaro cumpre pena.
Michelle: “Não posso apoiar quem fez mal à minha família”
Em nota divulgada nas redes sociais, Michelle Bolsonaro rebateu críticas dos enteados e reafirmou que não aceita a aproximação do PL com Ciro Gomes. Segundo ela, seria impossível apoiar alguém que, em suas palavras, “tanto mal causou ao meu marido e à minha família”.
Michelle disse respeitar o posicionamento dos filhos do ex-presidente, mas reivindicou o direito de se manifestar “com liberdade e sinceridade”. Ela destacou não saber qual é a posição atual de Jair Bolsonaro — “ele não me falou se é” — mas reforçou que preservar a família vem antes do papel político.
“Antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa”, escreveu. “Se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções.”
Allan dos Santos reage e ataca a ex-primeira-dama
A manifestação de Michelle provocou forte reação do foragido Allan dos Santos, que a acusou de afastamento e deslealdade. Em transmissão no YouTube, ele afirmou que Michelle estaria “cagando para o Bolsonaro” e disse que ela não teria o aval dos filhos do ex-presidente para se posicionar.
Allan também sugeriu que Michelle estaria viajando pelo país como se o marido “já estivesse morto” e afirmou que aliados como Tarcísio de Freitas não desejariam sua presença. As declarações inflamaram o clima dentro do PL e reforçaram o desgaste entre diferentes núcleos do bolsonarismo.
Flávio visita o pai e tenta conter a crise
Em meio ao incêndio político e familiar, o senador Flávio Bolsonaro visitou o pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Jair Bolsonaro está preso desde 22 de novembro e acompanha apenas TV aberta da cela de 12 metros quadrados.
Flávio contou que relatou toda a crise ao pai e afirmou ter pedido desculpas a Michelle após desentendimentos internos. Segundo ele, a conversa com o ex-presidente buscou esclarecer os fatos e demonstrar esforço para reaproximar a família.
Crise expõe racha e preocupa dirigentes do PL
A disputa sobre o apoio no Ceará — e o simbolismo do nome de Ciro Gomes — reacendeu um racha que vinha sendo contido pela cúpula do PL. O partido tenta manter silêncio e unidade desde a prisão de Bolsonaro, mas a tensão entre Michelle, os filhos e aliados externos como Allan dos Santos rompeu novamente o acordo informal.
Dirigentes admitem que a prisão agravou a disputa por influência e visibilidade no campo bolsonarista. A avaliação é de que a crise, agora reacendida pela resistência de Michelle a Ciro Gomes, pode atrapalhar construções estratégicas para 2026 e prolongar o desgaste interno.