MDB torce o nariz para Lula no país, mas na Paraíba partido aposta tudo no apoio do presidente
06/02/2026 05:31
Redação ON Reprodução

O MDB encomendou um amplo mapeamento interno para medir como seus diretórios estaduais se posicionam em relação ao presidente Lula, num momento em que o Palácio do Planalto discute os arranjos para 2026 e volta a circular, nos bastidores, a possibilidade de a legenda indicar o vice da chapa presidencial. O resultado do levantamento escancarou uma divisão profunda no partido: em boa parte do país, o MDB resiste a Lula, enquanto em outros estados a relação é de apoio formal, ainda que marcada por atritos regionais.

Esse retrato nacional contrasta com o cenário paraibano. Na Paraíba, o MDB, comandado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, se posiciona de forma clara ao lado de Lula e tenta capitalizar essa proximidade politicamente. Veneziano busca consolidar o apoio do presidente à sua tentativa de reeleição ao Senado e, de quebra, fortalecer a aliança local com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, recém-filiado ao partido. O movimento, no entanto, esbarra em outro eixo de poder no estado: a relação já estabelecida de Lula com o grupo do governador João Azevêdo, o que transforma o apoio presidencial em um ativo disputado dentro do campo governista paraibano.

No plano nacional, o levantamento interno do MDB apontou que, em 16 estados, o partido se coloca contra Lula, enquanto em 11 há apoio ao governo federal. A apuração foi revelada pelo analista de política Pedro Venceslau, em reportagem da CNN, e expõe o tamanho da dificuldade para que o PT consiga costurar uma aliança formal com a legenda em 2026. Mesmo nos estados classificados como “aliados”, há conflitos mal resolvidos, quase sempre ligados à ocupação de espaços nas chapas estaduais e à disputa por protagonismo regional.

Em algumas unidades da federação, o apoio a Lula convive com ressentimentos claros. Há casos em que o MDB perdeu espaço em chapas lideradas pelo PT ou foi preterido na composição de alianças locais, o que alimenta resistência interna a um alinhamento automático com o presidente. Na prática, o partido se vê diante de um dilema: negociar nacionalmente com Lula enquanto administra frustrações e disputas que nascem nos estados.

Muita calma nessa hora

Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a conversa sobre a vaga de vice na chapa presidencial é tratada com cautela, tanto no PT quanto no MDB. Embora setores do governo flertem com a ideia de atrair formalmente o partido para a aliança nacional, o sentimento majoritário dentro da legenda, fora de redutos específicos como a Paraíba, é de desconfiança em relação ao lulismo. Um dirigente do MDB chegou a ironizar, em conversas reservadas, que só faria sentido indicar um vice para Lula em um cenário politicamente improvável, o que ilustra o grau de resistência existente.

Nos bastidores do PT, a avaliação dominante é de que Geraldo Alckmin segue como o nome mais natural para permanecer na vice, ainda que também circulem cenários que envolvem sua eventual candidatura em São Paulo. Esse debate, porém, ainda é embrionário e depende do desenho mais amplo das alianças para 2026.

Enquanto Brasília faz contas e mede forças, a Paraíba se transforma em um microcosmo desse xadrez nacional. O MDB local aposta na relação com Lula como trunfo eleitoral, mas sabe que o presidente já tem compromissos políticos com outras forças do estado. O que está em jogo não é apenas a fotografia ao lado do presidente, mas quem, de fato, conseguirá transformar essa proximidade em apoio concreto na próxima disputa eleitoral.

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