MDB amplia ruído com indicação de André Gadelha e expõe indefinição na pré-campanha
18/03/2026 11:21
Redação ON Reprodução

O movimento mais recente dentro do MDB da Paraíba, e que elevou o nível de desconforto interno, foi a indicação do nome do deputado André Gadelha para ocupar uma das vagas ao Senado na chapa do partido. A iniciativa, tratada como pré-lançamento, não foi bem assimilada por aliados e já provocou reações públicas.

O deputado estadual Hervázio Bezerra, por exemplo, classificou a ideia como um erro estratégico neste momento da pré-campanha. Ainda que tenha dito se tratar de uma avaliação pessoal, a crítica revela um incômodo mais amplo com o rumo das decisões dentro do grupo liderado pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.

E esse não é um caso isolado.

Nos bastidores, cresce a insatisfação com a formação da nominata proporcional. O deputado estadual Anderson Monteiro deixou clara sua discordância ao se recusar a participar de uma reunião convocada pelo partido. Segundo ele, foi informado de que a presença significaria concordância total com a composição proposta, o que o levou a se afastar.

Monteiro defende a manutenção da base original do MDB e sugere que novos aliados, que chegaram junto com Cícero Lucena, busquem espaço em outra legenda, como o PSD. A divergência já teve desdobramentos, como a saída do deputado Dr. Romualdo, sinalizando que o ambiente interno está longe de ser pacificado.

A situação se torna ainda mais delicada com a entrada conturbada do médico campinense Jhony Bezerra no grupo. Apesar de representar uma tentativa de ampliar a base política, suas declarações mais duras contra o grupo Cunha Lima provocaram reações de caciques aliados de Cícero, gerando novos atritos.

No plano nacional, o MDB também enfrenta uma indefinição estratégica que impacta diretamente o cenário local: o posicionamento em relação à reeleição do presidente Lula. Há sinais de que o presidente tende a apoiar o governador João Azevêdo, o que coloca o partido em uma posição desconfortável.

Cícero Lucena já reagiu a esse cenário com um recado direto, ao afirmar que não votará em quem não gosta dele. A declaração veio na sequência de falas do senador Veneziano Vital do Rêgo, que alertou que Lula pode se arrepender caso não apoie o prefeito da capital.

O conjunto desses fatores revela um MDB dividido, com dificuldades de alinhamento interno e ainda em busca de uma estratégia clara para a disputa estadual. Para um grupo que tem um candidato liderando as pesquisas, o momento está longe de ser de tranquilidade.

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